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segunda-feira, dezembro 14, 2009

Lendas Gauchas-Diabo


Você deve estar se perguntando, o diabo já tem estrada? Pois saiba que no Rio Grande do Sul ele não tem só estrada, tem o Rincão do Inferno, entre Lavras e Dom Pedrito e uma Estrada do Inferno, entre Palmares e Mostarda. Na estrada que vai de Santa Maria a Cruz Alta há a Garganta do Diabo e o trecho da Estrada da Produção do Arroio Tijela até a entrada de Soledade é a Estrada do Diabo, onde sempre ocorrem acidentes com morte.
Contam o povo de Soledade, que em uma noite muito fria, que assobiava um minuano, tal qual alma penada, trafegava um ônibus quase vazio subindo a serra. Nos bancos da frente dois homens discutiam as mortes na Estrada da Produção, naquele trecho. Um deles assegurou que agora os acidentes iam diminuir porque a Polícia Federal ia estabelecer um posto logo à saída da cidade, no que vai para Passo Fundo.


No banco de trás, um moço moreno, crespo, com os dentes muito brancos, sorria muito, ouvindo a conversa.


Quando o ônibus parou em um restaurante,à entrada da cidade, os homens desceram e o rapaz moreno e crespo passou por eles e disse:


- " Não adianta botarem Polícia Rodoviária aí. Essa estrada é minha, daqui até o arroio da Tijela. E vai continuar morrendo gente cada vez mais!" E riu.


Os homens perguntaram:


- "Mas quem é o senhor, afinal?" Ele não respondeu. Só riu mais ainda e foi recuando para dentro do nevoeiro, deixando no ar um cheiro de enxofre. É por isso que o povo sabe que aquele trecho da Estrada da Produção é a Estrada do Diabo.

Lendas Gauchas -Lobisomem


O Rio Grande do Sul inteiro acredita firmemente em Lobisomem, do mais remoto rincão campeiro às cidades mais cosmopolitas, do ínvio recesso das matas às mais bulhentas praias do Atlântico Sul. O mito Lobisomem é basicamente a crença em que determinados homens - sempre homens ! - em determinadas circunstâncias podem se transformar em um monstro meio-lobo e meio-homem. O mito no Rio Grande do Sul sustenta que o sétimo filho homem de uma família será fatalmente o Lobisomem - a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. Há, também, forma folclórica de se transmitir o fado: quando um velho Lobisomem sente que vai morrer, ele fica sofrendo muito até passar o encargo a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tem algum guri ou moço por perto, ele pergunta, simplesmente: "Tu queres?". O ingênuo normalmente acredita que se trata de algum presente, ou mesmo de herança e então responde: "Sim". Aí, o velho morre feliz, porque transmitiu o fado, conforme se expressa a linguagem popular. O homem que tem o fado do Lobisomem é sempre de raça branca, pelo-duro (ou seja, não há Lobisomem negro, alemão ou gringo), magro, de olhos no fundo, dentes salientes e cara de cor amarelada, muito pálido. Quase sempre mora sozinho. Mais raramente, vive com a mãe, uma velha muito estranha. Mais raramente ainda é casado e a mulher ignora o fato. Mora sempre em um rancho o mais isolado possível, obrigatoriamente com um galinheiro no fundos. Se o próprio rancho não tem galinheiro, tem que haver um, por perto. O fado do Lobisomem é uma cruz que ele carrega. Não fazendo mal a ninguém, ele é mais uma vítima do que um carrasco. Se é atacado, reage. E morde cachorros e até pessoas. Mas, se puder evitar isso, ele evita. Simplesmente o Lobisomem tem que cumprir o seu fado, que é comer nas sextas-feiras de lua cheia, da meia-noite até o clarear do dia, descrevendo um grande rodeio. À meia-noite ele se rebolca nos sujos das galinhas, rolando no chão e se transforma. Aí, corre a noite inteira, fazendo uma grande volta. Quando o sol vai nascer, ele já está de regresso ao ponto de partida. Rebolca-se de novo no galinheiro e aí vira gente, outra vez.

Fonte: Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul
Antônio Augusto Fagundes

sábado, setembro 19, 2009

Farrapos




Farrapos







Farrapos






Farrapos




Guerra dos Farrapos





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