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sábado, março 18, 2017

Chuck Berry, lenda do rock, morre aos 90 anos

Considerado um dos pioneiros do gênero, guitarrista ídolo de Beatles e Rolling Stones foi encontrado morto pela polícia em sua casa em Missouri, nos EUA.
músico Chuck Berry, um dos pioneiros do rock, morreu neste sábado (18) aos 90 anos no Missouri, nos Estados Unidos, informa a polícia local do condado de St. Charles. O guitarrista lendário foi encontrado em sua casa já sem sinais vitais. A causa da morte ainda não foi revelada.

“O departamento de polícia do condado de St. Charles infelizmente tem de confirmar a morte de Charles Edward Anderson Berry Senior, melhor conhecido como o lendário músico Chuck Berry”, afirma a polícia, em nota. De acordo com os oficiais, a família pede “privacidade durante esse momento de perda”.


Ídolo dos Beatles e dos Rolling Stones, Chuck Berry era conhecido por clássicos como "Johnny B. Goode", "Sweet little sixteen" e "You never can tell". Esta última música ganhou destaque nos anos 90 por causa de uma das cenas mais famosas de "Pulp fiction", do diretor Quentin Tarantino. Também gravou "Maybellene" e "Roll over Beethoven" e "Memphis, Tennessee".

Sua marca no gênero foi tão grande que certa vez John Lennon, dos Beatles, falou: "Se você tiver de dar outro nome ao rock'n'roll, poderia chamá-lo de Chuck Berry".

Em outubro, ao completar seus 90 anos de idade, Berry anunciou através das redes sociais seu primeiro álbum desde 1979. O álbum "Chuck" estava previsto para ser lançado em 2017 com músicas novas escritas e gravadas pelo músico.

Lenda

Nascido em 18 de outubro de 1926, em Saint Louis, também no Missouri, Berry dizia emular "a clareza vocal suave de seu ídolo, Nat King Cole, enquanto tocava músicas de blues de gente como Muddy Waters", descreve a biografia em seu site oficial. Berry foi o quarto dos seis filhos de um empreiteiro e de uma diretora de escola.


Ele aprendeu a tocar guitarra durante o ensino médio, quando passava por uma fase rebelde. Tanto que foi preso por tentativa de roubo. Depois, chegou a trabalhar em uma linha de montagem de fábrica da General Motors.

Berry passou a se dedicar exclusivamente à música nos anos 1950, quando formou um trio com um baterista, Ebby Harding, e um tecladista, Johnnie Johnson. Ele atingiu sucesso em 1955 quando conheceu a lenda do blues Muddy Waters e o produtor Leonard Chess em Chicago, e passou a misturar estilos do country e do blues do sul dos EUA com uma pegada pop, mais palatável para as rádios.

"Eu queria tocar blues", afirmou Chuck Berry em entrevista à revista "Rolling Stone". "Mas eu não era 'blue' [triste] o suficiente. Eu sempre tive comida na mesa."

Além das músicas e da influência sobre todo um gênero, o músico também deixou sua marca na famosa "duck walk", na qual tocava sua guitarra enquanto pulava em uma perna agachado pelo palco.

Em 1989, ele foi introduzido oficialmente ao Hall da Fama do Rock and Roll, apresentado pelo guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards.


Além dos problemas na adolescência, Berry se envolveu em alguns problemas com a lei ao longo do anos. O mais grave em 1959, quando foi detido em Saint Louis acusado de transportar uma garota de 14 anos por divisas estaduais com a intenção de prostituição.

Ele foi condenado dois anos depois e passou 20 meses na prisão, uma experiência que amigos relatam que mudou profundamente sua maneira de ser.

Em 1979, Berry foi preso novamente. O guitarrista passou quatro meses detido por evasão fiscal.


Bruce Springsteen e Chuck Berry apresentam 'Johnny B. Good' na abertura do The Concert for the Rock & Roll Hall of Fame, em setembro de 1995 (Foto: REUTERS/Stringer)

sexta-feira, outubro 26, 2012

Rolling Stones tocam sucessos e inéditas no primeiro show em cinco anos

Os Rolling Stones deram, na noite desta quinta-feira, um show excepcional em Paris para poucas centenas de afortunados que conseguiram lugares a módicos 15 euros em uma pequena sala, da qual o público saiu extasiado.
– Foi coisa de louco, o público ficou completamente alucinado, foi extraordinário vê-los assim, sobretudo a este preço – contou Eric, fã dos Rolling, na saída do show, oferecido pela mítica banda na pequena casa parisiense Trabendo.
Os 350 ingressos postos à venda esta mesma manhã foram vendidos em questão de minutos.
Durante o show, que durou 1h20 e não meia hora como tinha sido anunciado anteriormente, os Rolling Stones interpretaram doze canções, começando por Road 66, antes de passar a sucessos como Start Me Up e Miss You, e em seguida à inédita Doom and Gloom.
Entre os presentes ao show, muitos anônimos e algumas celebridades, como a modelo Natalia Vodianova.
Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts - que desde 2007 não faziam um show, quando terminaram a turnê do álbum A Bigger Bang (2005) - organizaram o concerto desta quinta-feira no maior sigilo.
O anúncio de que tocariam em Paris surpreendeu a todos, pois a aguardadíssima volta do grupo aos palcos estava prevista para novembro, em Londres.
AFP

domingo, maio 20, 2012

GOODBYE MY IDOL ...


sábado, março 24, 2012

Chico Anisio

110 dias internado, até 21 de março. Nesse período ficou em coma por três vezes, após uma série de complicações em seu quadro de saúde.

Chico era casado com a empresária Malga Di Paula, sua sexta esposa, e a única com quem não teve filhos. Ele é pai de nove filhos.

Rádio e TV

Foi no Rádio Guanabara, ainda nos anos 50, que os seus tipos cômicos começaram a surgir. Até o “talento para imitar vozes”, como o proprio Chico descreveria em seu site, evoluir para a televisão. A estreia aconteceu em 1957, na extinta TV Rio, no programa “Aí vem dona Isaura”. Foi lá que o Professor Raimundo teve sua primeira aparição no vídeo, como o tio da protagonista que vinha do Nordeste — até então o programa só havia sido veiculado pelo rádio.
“Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: "'Na minha terra, tem um Pantaleão. No Rio tem muito Azambuja’”, explicou o humorista ao “Estado de S. Paulo”, em 2009.

Num tempo em que ainda não existiam contratos de exclusividade, Chico pôde fazer participações especiais em programas de outras emissoras e em chanchadas da Atlântida.
O “Chico Anysio Show”, seu primeiro programa de humor, foi lançado no início da década de 60. Foi ao ar pela TV Rio, depois pela Excelsior e em 1982 voltou a ser exibido pela Rede Globo — onde o humorista já trabalhava desde 1969.

Mas foi na Globo que teve seus programas humorísticos de maior sucesso e onde desenvolveu a maioria de seus personagens. Entre as atrações, destaque para “Chico city” (1973-1980), “Chico total” (1981 e 1996) e “Chico Anysio show” (1982-1990).

Alguns desses personagens quase que se misturam à história da televisão brasileira, como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o coronel Pantaleão, o pai-de-santo Véio Zuza, o velhinho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares e sua mulher Biscoito (Zezé Macedo) e o revoltado Jovem.

Com o passar dos anos, novos tipos eram criados e incorporados ao programa: o funcionário da TV Globo Bozó, que tentava impressionar as mulheres por conta de sua condição; o mulherengo e bonachão Nazareno, sempre de olho nas serviçais; o político corrupto Justo Veríssimo; e o pai de santo baiano e preguiçoso Painho são alguns dos mais populares.

Apresentada como quadro em outros programas desde a década de 1980, a “Escolinha do Professor Raimundo” tornou-se uma atração independente em 1990. No ar até 2002, o humorístico lançou toda uma geração de comediantes. Entre os “alunos” revelados pelo “professor Chico” estão Claudia Rodrigues, Tom Cavalcante e Claudia Gimenez.

Chico também atuou em novelas e especiais da Globo, como “Pé na jaca” (2007), “Sinhá Moça” (2006), “Guerra e paz” (2008) e “A diarista” (2004). Chico Anysio também teve um quadro fixo no Fantástico por 17 anos (de 1974 a 1991), e supervisionou a criação no programa “Os Trapalhões” no início dos anos 90.

Cinema 

A incursão mais recente de Chico Anysio no cinema foi como dublador. É dele a voz do protagonista da animação “Up - Altas aventuras", animação do estúdio Pixar. Antes disso, o humorista fez uma participação especial no recordista de bilheteria “Se eu fosse você 2” (2008), de Daniel Filho. “Nos créditos finais fiz questão de colocar ‘senhor Francisco Anysio’. Ele é um astro, merece ser tratado com toda reverência”, explicou o diretor em entrevista ao G1 durante o lançamento do longa.

Em 1996, o humorista interpretou o personagem Zé Esteves, pai da personagem-título, em “Tieta”, de Cacá Diegues. O trabalho coincidiu com o aniversário de 25 anos da estréia de Chicono cinema, na pornochanchada "O doce esporte do sexo". Antes havia participado de comédias como "Mulheres à vista" e "Cacareco vem aí".

Em 2011, em sua última aparição pública, recebeu o prêmio especial do Júri do Festival do Rio pelo seu desempenho no longa “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do diretor Vinícius Coimbra.
"O filme é importantíssimo, a obra é linda. Vinícius realizou algo quase inacreditável. É um filme que, tenho certeza, Sergio Leone assinaria com alegria", destacou o bem humorado Chico, que fez questão de receber o Troféu Redentor pessoalmente, mesmo de cadeira de rodas.
Literatura e artes plásticas
Além de se dedicar ao humor, Chico também foi artista plástico. Apaixonado pela pintura, retratou paisagens ao redor do mundo a partir de fotografias que tirava dos países que visitava. Realizou exposições de seus quadros em diversas galerias do Brasil e chegou a afirmar que gostaria de ter dedicado mais tempo à atividade.
“Porque teria tido mais tempo para aprender, para melhorar. Teria mais tempo para me tornar conhecido e aceito, para vender meus quadros por um preço melhor. Cheguei a admitir que a pintura seria meu emprego da velhice, mas não vai ser, porque ninguém está comprando nada de obra de arte, e pintar para guardar é terrível”, disse em entrevista à “Folha de S. Paulo”, em 2007. Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como "O Batizado da vaca", "O telefone amarelo" e "O enterro do anão". Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.
“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.
Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Carreira esportiva


Caçula de oito irmãos, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu no dia 12 de abril de 1931, no município de Maranguape, no Ceará. A cidade constantemente era citada de forma saudosa pelo humorista – seu personagem mais popular, o Professor Raymundo, era de lá.
“Maranguape, cidade de que tanto falo, representa uma grande saudade. Foi um pequeno paraíso, o Éden da minha infância durante gloriosos anos. Foi lá que aprendi a ler sozinho”, escreveu o humorista em seu site oficial.

Aos 7 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, após a falência da empresa de ônibus da família. Morador do Catete, contrariou a vontade do pai e do irmão mais velho — botafoguenses convictos — e se tornou vascaíno. Sonhava em ser jogador de futebol.

Mas a carreira esportiva logo foi esquecida, quando Chico passou em testes para ser locutor e ator da Rádio Guanabara. Ele ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Silvio Santos.
Nos anos 50, também trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Foi na primeira que criou o programa que se tornaria um de seus maiores sucessos, "Escolinha do Professor Raymundo", inicialmente composta por três alunos: Afrânio Rodrigues (o que sabia tudo), João Fernandes (o que não sabia nada) e Zé Trindade (o que embromava o professor).

Apesar da tentativa de se tornar um galã de radionovelas, sua veia humorística se destacava desde o início. “A rádio Guanabara descobriu meu jeito para imitar vozes. Neste dia perdi minha chance de ser um Tarcísio Meira”, contou o comediante em seu site. Foi assim que começou a compor os mais de 70 tipos cômicos que marcariam sua carreira.

Casamentos e filhos

O primeiro de seus casamentos foi aos 22 anos, com a atriz Nancy Wanderley. Depois foi a vez de Rose Rondelli. Sobre a união com a cantora e ex-frenética Regina Chaves, dizia mal se lembrar. Já com Alcione Mazzeo, rompeu a relação por conta de um ensaio nu. Mas foi seu matrimônio com a ex-ministra da Economia do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello — com quem teve dois filhos — que provocou mais polêmica. "Passou a ser uma pessoa de meu desagrado total. Fui um biombo para ela”, disse Chico à revista “Isto É”, em outubro de 2000.

Antes, porém, teve seis filhos, entre eles os atores Lug de Paula (famoso por interpretar o Seu Boneco, da “Escolinha do Professor Raimundo”), Nizo Neto (o Seu Ptolomeu, do mesmo programa, também dublador) Bruno Mazzeo (ator e roteirista). Chico também era tio do ator Marcos Palmeira, filho do cineasta Zelito Vianna, irmão do humorista; e da atriz Maria Maya, filha de Cininha de Paula, sobrinha do humorista.

Em novembro de 2009 foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta comenda do governo brasileiro na área. Da vida, dizia levar apenas um arrependimento: “Me arrependo enormemente de ter fumado durante 40 anos.”

Só me resta escutar Baiano e Novos Caiatanos,Beija-Fulo....Adeus Chico....

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

RONALDO FENOMENO 9




Emocionado, Ronaldo dá adeus ao futebol: "Meu corpo me venceu"

Num discurso emocionado, com algumas lágrimas e declarações de amor ao Corinthians, Ronaldo declarou que não joga mais futebol. O agora ex-atacante de 34 anos concedeu uma concorrida entrevista coletiva para mais de 200 jornalistas e não conteve as lágrimas quando lembrou de passagens dos seus 18 anos de carreira.

As dores causadas por seguidas lesões e um hipotireoidismo diagnosticado no Milan em 2007 foram as principais causas da sua decisão. “Meu corpo me venceu. Minha cabeça queria continuar, mas não consigo mais”. Em 2010, o iG Esporte abordou o problema de hipotireoidismo do atacante.

Ronaldo falou por 44 minutos. Aos lados dos filhos Ronald e Alex e do presidente Andrés Sanchez, não segurou as lágrimas, que viraram risos só quando seu filho mais novo, Alex, aprontava alguma travessura. “Ele já corintiano. E eu sempre para sempre”, disse.


“Todos sabem aqui do meu histórico de lesões. Tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões que vão de um lado para o outro, de uma perna para a outra, de um músculo para o outro e essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira. Há quatro anos atrás no Milan, eu descobri sofria de um distúrbio que se chama hipotireoidismo. Um distúrbio que desacelera o seu metabolismo, e que para controlar esse teria de tomar hormônios que no futebol não são permitidos. Seriam um doping. Muitos devem estar arrependidos de tanta chacota do meu peso, dos comentários do meu peso, mas não guardo mágoa de ninguém, e tenho de explicar isso no último dia da minha carreira.”

Com 35 gols em 69 jogos pelo Corinthians, Ronaldo agora se declara um torcedor e será um embaixador do clube. “Vou assistir a alguns do time e agora sou um embaixador que tentará levar mais ainda o nome do Corinthians para o mundo”

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Mayana Moura





Linda e poderosa!
É atriz, ex-modelo, rica e canta horrores tem até uma banda chamada Glass and Glue, que é vidro e cola em inglês.
Cheia de estilo e atitude, não sai de casa sem antes escolher um dentre os 50 chapéus, e quando se olha no espelho, lembra da atriz norte-americana Louise Brooks, que já tem o cabelo igualzinho da estrela. Gosta de Ramones, ela é roqueira e adora roupas pretas.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Shows pelo Brasil





segunda-feira, maio 31, 2010

Clint Eastwood


Na história do cinema, não são raros os casos de atores que passaram com sucesso para trás das câmeras. O francês Mathieu Almaric acaba de ganhar o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes por Tournée; o inglês Charles Laughton fez a obra-prima O Mensageiro do Diabo (1955). Kevin Costner (Dança com Lobos) e Mel Gibson (Coração Valente) levantaram estatuetas do Oscar de melhor filme depois de longas carreiras como intérpretes.

Mas nunca houve uma transformação tão radical, tão profunda, tão bem-sucedida quanto a de Clint Eastwood. Se algumas décadas atrás fizessem uma enquete com milhares de cinéfilos perguntando qual jovem ator se tornaria um diretor consagrado no futuro, o nome de Clint certamente não seria nem lembrado. Mas é com esse status – o de um dos grandes autores do cinema americano contemporâneo – que ele completa agora 80 anos.

Quando ele iniciou sua carreira – primeiro como coadjuvante de filmes B, depois como Homem sem Nome da trilogia de western spaghettis de Sergio Leone ou como o Dirty Harry da franquia criada por Don Siegel –, Clint era visto em geral como um ator limitado. Era considerado pouco mais que um Schwarzenegger da época, capaz de encarnar um homem duro, calado e solitário – mas não muito mais do que isso.

Mas aos poucos ele aprendeu as manhas do ofício com Leone e Siegel e começou a construir uma carreira de diretor consistente ainda nos anos 70, com filmes bem-recebidos como Josey Wales - O Fora da Lei. Mas a virada de percepção da crítica só veio nos anos 80, quando Bird, sua biografia do saxofonista Charlie Parker, assombrou Cannes.

Os anos 90 foram a fase de consagração, com a obra-prima oscarizada Os Imperdoáveis e o sucesso romântico As Pontes de Madison. E, nos 00, Clint parece simplesmente ter desaprendido a errar, variando entre o bom (Menina de Ouro, A Troca) e o brilhante (Sobre Meninos e Lobos, A Conquista da Honra).

Ao longo do percurso, ele erigiu uma obra sólida como o Monument Valley, aquela paisagem rochosa do Oeste americano que foi o cenário preferido do cineasta John Ford, um dos heróis de Clint. Suas obsessões se tornaram evidentes: uma queda por personagens marginalizados, com traumas do passado, em busca de redenção; um interesse pelo confronto entre o fato e a lenda sobre esse fato.

Além de ter se sofisticado como ator (o que nunca foi devidamente reconhecido), Clint tornou-se o mais clássico dos cineastas modernos – ou talvez o contrário. Um defensor ferrenho – perto ou longe das câmeras - dos antigos valores americanos, em particular uma fé absoluta no individualismo.

Mas o que pouca gente parece ter percebido é que, como diretor, Clint nunca deixou de ser o Homem Sem Nome ou Dirty Harry, construindo um estilo límpido e direto, sem palavras ou gestos desnecessários, sem chamar atenção para suas virtudes. Clint chega aos 80 ainda como um cavaleiro solitário, percorrendo lenta e silenciosamente o deserto do cinema hollywoodiano.

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