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sábado, janeiro 31, 2015

Planeta Atlantida 2015



Ultramen Comunidade Nin Jit Su Planeta Atlântida 2015 (Foto: Emmanuel Denaui/Agência Preview)Parceria entre Ultramen e Comunidade Nin-Jitsu encenrrou a primeira noite (Foto: Emmanuel Denaui/Agência Preview)
Marcado pela diversidade, o Planeta Atlântida 2015 começou nesta sexta-feira (30), no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Depois de mais de 10 horas de música, a festa foi encerrada perto das 5h. Neste sábado (31), ocorre mais uma maratona de shows.
Após a tradicional abertura com o Hino do Rio Grande do Sul, executado por Neto Fagundes, foi a vez da banda Malta subir ao palco para animar o público, ainda com o sol brilhando. A noite teve outras atrações como Armandinho, Jota Quest, Sublime with Rome, Ivete Sangalo, Gigantes do Samba e a parceria com Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen, no encerramento.
O festival reúne mais de 50 atrações em dois dias de shows e quatro palcos. Assista ao vivo aos shows no site oficial do evento e acompanhe a cobertura em tempo real.
Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen
Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen fecharam primeira noite do Planeta Atlântida (Foto: Vinicius Costa/Agência Preview)Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen fecharam
1ª  noite (Foto: Vinicius Costa/Agência Preview)
A primeira noite terminou com a parceria de duas bandas gaúchas.  Mais do que um show, Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen pareciam estar se divertindo no palco. E, ainda que o relógio marcasse por volta de 4h, o público demonstrou animação ao ouvir a mistura de rock, reggae e rap proporcionada pelas atrações.
A apresentação começou com "Merda de Bar", cantada por Mano Changes. O público acompanhou a letra e pulou durante todo o refrão. Em seguida, foi a vez do vocalista da Ultramen, Tonho Crocco, soltar a voz com "Tubarãozinho". O show alternou momentos de protagonismo das duas bandas.
Mano Changes animou ainda mais a plateia ao cantar "Cowboy" e "LSD", duas canções conhecidíssimas do público gaúcho, além de "Casa do Sol", hit lançado em 2010. O Ultramen não deixou por menos. Tocou as favoritas dos fãs, como “Grama Verde” e “Dívida”. "Detetive" e "Ah, eu tô sem erva", finalizaram a noite com muito barulho, quando o relogio já marcava quase 5h.

Gigantes do Samba
Alexandre Pires (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)Alexandre Pires cantou sucessos do SPC
(Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)
Depois de passar pelos gêneros reggae, pop rock e axé, foi a vez do pagode tomar conta do Palco Central. Só Pra Contrariar e Raça Negra se apresentaram juntos no festival com o show Gigantes do Samba. Tocando alguns dos maiores sucessos dos dois grupos, os músicos animaram o público e colocaram todo mundo para dançar juntinho sob a garoa que começou a cair em Xangri-Lá.
O show começou à 1h50 com a música "Cheia de Manias" e seguiu com canções como "Deus Me Livre", "Maravilha" e "Que Se Chama Amor", cantanda em coro pelas cerca de 40 mil pessoas que curtiram a apresentação comandada por Alexandre Pires e Luiz Carlos. Sucessos como "Vida Cigana", "Jeito Felino" e "Tá Por Fora" também estavam no set list do show.
Tocando cavaquinho, o vocalista do SPC cantou a música "Domingo". Na sequência, foi a vez de "Jeito de Ser", "Gosto Tanto de Você" e "Mineirinho". O show contou ainda com uma versão de samba para a música "Será", da banda Legião Urbana, cantada com a ajuda dos planetários. Para encerrar o show, as bandas tocaram "É Tarde Demais" e "Essa Tal Liberdade", cantadas em coro pela plateia.

Ivete Sangalo
Ivete Sangalo nova (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)Ivete Sangalo anima o público no Planeta
(Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)
Mal subiu ao Palco Central do Planeta Atlântida 2015, a cantora Ivete Sangalo já fez o público de 40 mil pessoas tirar o pé do chão com a música "Tempo de Alegria", que abriu o show da baiana na primeira noite do festival. Com muito carisma, ela animou os fãs com uma série de hits que incluiu "Acelera Aê", "Festa" e "Sorte Grande".
Interagindo o tempo todo com o público com a intimidade de quem participa pela décima vez do festival, a cantora se declarou para os gaúchos e dedicou o show ao lutador Anderson Silva, que retorna ao octógono na tarde deste sábado (31).
Na sequência, Ivete emendou os hits "Pra Frente" e "Levada Louca", e sensualizou com a música "Dançando", arrancando aplaudos dos fãs, que jogaram para o palco uma bandeira do Rio Grande do Sul. Enrolada na bandeira, Ivete cantou uma versão de axé para a música regionalista "É Disso que o Velho Gosta", que emendou com o sucesso "Chupa Toda".
O show teve ainda participação da banda gaúcha Melody, que participou do reality show musical SuperStar, da Rede Globo, no ano passado. Junto com a cantora, o sexteto cantou o sucesso "Eva". Para encerrar a festa, Ivete cantou "Cadê Dalila", "Bota Pra Ferver", "Empurra, Empurra" e "Arerê".

Sublime with Rome
Sublime with Rome Planeta Atlântida palco (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)Sublime with Rome mostrou seu reggae fusion no
palco (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)
Depois de três atrações nacionais, foi a vez da banda Sublime wth Rome dar início aos shows internacionais do Planeta Atlântida 2015. O grupo, uma parceria entre o baixista Eric Wilson, da formação original da banda Sublime, e o vocalista e guitarrista Rome Ramirez, subiu ao Palco Central às 22h30 e abriu o show com "Date Rape".
Na sequência, foi a vez da banda tocas ar músicas "Garden Grove", "Smoke Two Joints" e "Doin' Time" e colocar todo mundo para dançar ao som do seu reggae fusion. "É nossa primeira vez neste festival, muito obrigada por esta noite", agradeceu o vocalista. O set list teve ainda o cover da banda Bad Religion, "We're Only Gonna Die".
O público curtiu ainda as músicas "Wrong Way", "Lovers Rock", "Scarlet Begonias", entre outras. Os hits ficaram para o final, com "Bad Fish", "What I Got" e "Santeria", uma das faixas de maior sucesso do Sublime e que foi cantada pelas milhares de pessoas que acompanharam o show. "Nós amamos muito vocês, muito obrigado', disse Rome ao se despedir do público.



Jota Quest
Jota Quest Rogério Flausino Planeta Atlântida (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)À frente do Jota Quest, Rogério Flausino animou o
público (Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview)
Os mineiros do Jota Quest subiram ao Palco Central do Planeta Atlântida às 21h desta sexta-feira (30) para levantar o público com um show agitado e repleto de hits. Rogério Flausino e banda começaram a apresentação com "Mandou Bem" e "Na Moral". Em seguida, a banda tocou "Tempos Modernos", de Lulu Santos, e as faixas "Mais Uma Vez" e "Encontrar Alguém".
Além de grandes sucessos dos mais de 20 anos de carreira, a banda também tocou diversas canções do disco mais recente, "Funky Funky Boom Boom", como "Waiting for You" e "Reggae Town", novo single do grupo. "Além do Horizonte" entrou no set list para tirar o pé do chão das milhares de pessoas que acompanharam o show na primeira noite do festival.
Em um momento romântico do show, a banda tocou "Só Hoje" e celebrou os casais formados ao longo das 20 edições do Planeta Atlântida. "Depois de 20 anos, temos muitos casais que se conheceram aqui no Planeta Atlântida. Aliás, certamente tem meninos de 20 anos aqui que nasceram com influência dessas noites mal-dormidas de Planeta", brincou o cantor.
"Sempre Assim" e "Do Seu Lado" encerraram o show às 22h05, sob aplausos entusiasmados do público. "Vamos em paz Rio Grande do Sul, muito obrigado", disse o vocalista ao se despedir.

Armandinho
Armandinho anima a galera no Palco Central do Planeta (Foto: Agência Preview/Divulgação)Armandinho anima a galera no Palco Central do
Planeta (Foto: Agência Preview/Divulgação)
Em clima de beira de praia, o cantor Armandinho foi a segunda atração a subir ao Palco Central do Planeta Atlântida 2015, por volta das 19h30 desta sexta-feira (30). O show do cantor, que já é presença confirmada no festival, contou com uma série de hits de sua carreira, homenagem ao surfista Ricardinho e uma declaração de amor a sua esposa, Nadja Vendruscollo, com direito a beijo na boca no palco.
Em seguida, Armandinho tocou "Rosa Norte" e dedicou a canção ao surfista Ricardo dos Santos, que morreu na última semana após ter sido baleado por um policial em frente à casa da família na Guarda do Embaú, em Palhoça, Santa Catarina. A apresentação seguiu com "Desejos do Mar", "Reggae das Tramanda", "Amor de Primavera", "Starfix", "Pescador"
Em coro, o público acompanhou Armandinho nas faixas românticas "Eu Juro" e "Ursinho de Dormir", emocionando o cantor. Na sequência, o regueiro tocou "Lua Cheia" (veja no vídeo ao lado), "Analua", "Desenho de Deus" e "Toca Uma Regueira Aí". No encerramento do show, por volta das, 20h30, Armandinho abriu o coração para os fãs, falou sobre o fim de seu casamento, o vício em álcool e a reconciliação com a esposa, Nadja Vendruscollo, que subiu ao palco e beijou o cantor durante a canção "Sol Loiro", composta em sua homenagem.

Banda Malta
Banda Malta é a primeira a se apresentar no Planeta Atlântida 2015 (Foto: Agência Preview/Divulgação)Banda Malta é a primeira a se apresentar
(Foto: Agência Preview/Divulgação)
Sob aplausos de um público empolgado no primeiro dia de shows do Planeta Atlântida, a banda paulistana Malta subiu ao palco do festival pouco depois das 18h desta sexta-feira (30). Muito aplaudido pelo público, o grupo abriu a apresentação com "Entre Nós Dois". Com uma mescla de rock e romantismo, eles mostraram por que foram os vencedores do reality show SuperStar, da TV Globo.
O principal momento do show foi durante a performance de “Diz pra Mim”, música que está na trilha sonora da novela “Alto Astral” da Rede Globo como tema do casal Caíque a Laura. O vocalista Bruno Boncini iniciou a canção dedilhando as notas no violão. E o público aprovou. Com as mãos para cima, os milhares de presentes entoaram o refrão, que estava na ponta da língua (veja no vídeo abaixo).
Em seguida, o vocalista fez uma homenagem à banda Capital Inicial, chamando a plateia para cantar junto a canção “À sua maneira”. Prestes a acabar, os músicos arriscaram um cover de Queen, convocando as palmas da plateia com "We will rock you". O encerramento foi com a canção Supernova, que dá nome ao álbum de estreia da banda.

Planeta Atlântida tem mais de 50 atrações
A maratona é realizada na sede campestre da Sociedade Amigos do Balneário Atlântida (Saba), na Praia de Atlântida. Ao todo, são mais de 50 atrações divididas em quatro palcos: Central, Pretinho, Camarote e E-Planet, a tenda dedicada exclusivamente à música eletrônica. No segundo dia de festival, a line-up principal conta com outros dois nomes da música internacional: a cantora estadunidense Kesha e o duo indie americano Capital Cities. Além deles, na segunda noite sobem ao Palco Central os artistas nacionais Skank, Gusttavo Lima, Natiruts, CPM 22, Ultramen e Comunidade Nin-Jitsu.
Confira os próximos shows por palco e horários:
Sexta-feira, 30 de janeiro

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Comunidade Nin-Jitsu PEQUENA (Foto: Divulgação)
03:00 - Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen
A Comunidade Nin-Jitsu vive um ano especial: há 20 anos, lançava o hit "Detetive", que é cantado até hoje nos shows. Em janeiro, abriu a apresentação do Foo Fighters em Porto Alegre. Agora, prestes a lançar um disco novo, faz o encerramento da primeira noite do Planeta Atlântida.

  •  
Ultramen foto pequena (Foto: Divulgação)
A exemplo do ano passado, quando Mano Changes e companhia dividiram o palco com os Raimundos, desta vez o show será ao lado dos conterrâneos da Ultramen. O show terá uma novidade: duas baterias simultâneas. A Ultramen, mesmo em trabalho novo, não deve dispensar faixas que foram sucesso nas rádios gaúchas como “Peleia” e “Dívida”.


Palco Pretinho
21:30 - Reijow
22:40 - Tequila Baby
00:10 - Onze:20
01:40 - Forfun
03:00 - MC Jean Paul
E-Planet
22:30 - Bruno Be
00:00 - Bacci
01:30 - Fran Bortolossi
03:00 - Drunky Daniels
03:55 - Pic Schmitz
Camarote
23:00 - Claus e Vanessa
00:00 - DJ Mauricio Falke
01:00 - Tiago Abravanel
02:30 - DJ Mauricio Falke

Sábado, 31 de janeiro
Palco Central
CPM 22 (Foto: Divulgação/GShow)
18h00 - CPM 22
A banda paulistana volta ao festival após anos sem se apresentar no Palco Central. Representantes do hardcore melódico, são responsáveis por abrir o segundo dia da maratona de shows. Com poucas canções inéditas - o disco "Acústico", lançado no ano passado, é o primeiro trabalho desplugado desde a estreia em CD, há 13 anos -, a prioridade deve ser reviver os maiores sucessos da carreira. Entre as canções que viraram hit na voz de Badauí estão “Um minuto para o fim do mundo”, “Regina Let’s Go”, "Dias Atrás" e “O Mundo Dá Voltas”.

SkankSkank
19h30 - Skank
Assim como os também mineiros do Jota Quest, a turma de Samuel Rosa é uma das bandas recordistas de shows no Planeta Atlântida. Com novo disco nas lojas chamado "Velocia", a ideia é apresentar algumas faixas do trabalho. Os demais hits como “É uma partida de futebol”, “Jackie Tequila” e “Garota Nacional”, empolgam o público e estão sempre no setlist. Além, é claro, dos covers adotados como “É Proibido Fumar” e “Vamos Fugir”.

Natiruts (Foto: Divulgação/GShow)
21h00 - Natiruts
Com 16 anos de carreira, o grupo se tornou um dos mais queridos do reggae no país. Em turnê do CD e DVD “Acústico no Rio de Janeiro”, apresentaram ao público três canções novas: “Supernova”, “Já Chorei Demais” e “Dentro da Música II”. “O Carcará e a Rosa”, “Andei Só”, “Natiruts reggae Power” e “Liberdade Pra Dentro da Cabeça” ganharam uma roupagem acústica e devem se manter firmes no repertório.

Gusttavo Lima (Foto: Divulgação)
22h30 - Gusttavo Lima
O ídolo sertanejo sabe como ninguém explorar seus hits e conquistar a massa de fãs, do início ao fim. O cantor é o representante do gênero nesta edição da festa e vem pela primeira vez ao Planeta Atlântida. O sucesso “Gatinha Assanhada” às vezes aparece duas vezes no repertório, tamanha a euforia das meninas. "Balada" costuma ser o auge da apresentação.

Capital Cities (Foto: Divulgação)
0h00 - Capital Cities
O duo indie norte-americano é uma das atrações internacionais desta edição do Planeta Atlântida. O setlist do show da dupla costuma ter 16 músicas – mas pode ser reduzido no Planeta Atlântida, já que os shows no festival têm duração de cerca de 1 hora. Há covers de “Stayin' Alive” do Bee Gees, “Nothing Compares To You” do The Family e até “Holiday” da diva Madonna. O hit “Safe and Sound” surge em duas versões diferentes.

Kesha (Foto: Divulgação)
01h30 - Kesha
Outra representante estrangeira do line-up, Kesha é uma das principais artistas do cenário pop atual. Já dividiu os microfones com Pitbull e Flo Rida. Conquistou os fãs com o hit "Tik Tok". A apresentação atual da loira é baseada na “Warrior Tour” iniciada ainda em 2013 e que passou por EUA, Ásia e Europa.

Ludmilla (Foto: Divulgação)
03h20 - Baile da Favorita
O famoso baile funk chique nascido no Rio de Janeiro chega à Praia de Atlântida para o encerramento da edição de 2015, com os anfitriões Buchecha, Ludmilla e DJ Tubarão. O funk melody – variação romântica do gênero - é destaque com os hits “Conquista” e “Só Love”, que ganharam o Brasil na voz dele com o inesquecível parceiro Claudinho.
Ela, por sua vez, disparou nas paradas de sucesso com a dançante “Hoje”, que é trilha sonora da novela “Império” da Rede Globo. A carreira começou quando ainda era MC Beyoncé, em homenagem a diva pop, nome com o qual se destacou com a música "Fala mal de mim". Para todo mundo dançar junto.

Palco Pretinho
18:00 - Nalanda
19:10 - Filhos de Gaya
20:20 - Melody
21:30 - Acústicos e Valvulados
23:00 - Bidê ou Balde
00:30 - Seu Cuca
02:00 - Suricato
03:30 - Vera Loca
E-Planet
18:00 - Everson K
19:30 - Andre Sarate
21:00 - Growrock
23:30 - Double S
01:20 - Rapha Costa
03:10 - Federico Barco
Camarote
20:00 - DJ Pimpo Contursi
23:00 - Se Ativa
00:00 - Pimpo Contursi
01:00 - Jamz
02:30 - Cabral DJ
Planeta Atlântida 2015
QUANDO: 30 e 31 de janeiro de 2015
ONDE: Saba - Avenida Interbalneários, 413 - Centro - Atlântida - Rio Grande do Sul
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
INGRESSOS: As entradas (individuais ou passaportes) inteiras estão à venda em cidades do estado e também no site da Ingresso Rápido (clique aqui para acessar).
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        terça-feira, março 27, 2012

        Roger Waters


        Em Porto Alegre, Roger Waters dedica show "The Wall" a Jean Charles
        Ex-líder do Pink Floyd une tecnologia, política e personalidade em espetáculo imperdível, que ainda passa por Rio e São Paulo


        Foi mais do que um show. Na primeira noite da parcela brasileira da turnê "The Wall", neste domingo (25), em Porto Alegre, no estádio Beira Rio, Roger Waters apresentou aos gaúchos um verdadeiro espetáculo multimídia, de atordoar os sentidos. À música, são somados efeitos teatrais, sonoros, pirotécnicos e visuais, através de imagens de altíssima definição. Excelência é a palavra que melhor descreve um evento musical difícil de ser comparado com qualquer outra coisa.

        Até mesmo pelo engajamento. O ex-líder do Pink Floyd não é nada sutil quando prega seus ideais antiguerra e contra grandes corporações. Falando em português ao se dirigir pela primeira vez ao público, Waters, 68 anos, disse estar muito feliz por estar no país e lembrou o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em 2005 pela polícia ao ser confundido com um terrorista no metrô de Londres.

        "Quero dedicar esse concerto a Jean Charles de Menezes e a sua família, que está na luta pela verdadeira justiça, e a todas as vítimas do terrorismo de estado", afirmou. O brasileiro Jean Charles teve sua foto e informações mostradas no telão, assim como vítimas de conflitos no Iraque, Irã e outros locais, que podiam ser mandadas, inclusive, pelos fãs.

        É uma das facetas do disco melhor exploradas pelo britânico na versão contemporânea do espetáculo. Lançado em 1979, "The Wall" se tornou um marco do rock progressivo e da cultura pop por sua estrutura conceitual, além, claro, de singles excelentes. A partir de sua própria vida e a de Syd Barrett, Waters escreveu canções que retratavam a jornada de um personagem fictício, desde a perda do pai na Segunda Guerra Mundial, a opressão dos professores, o fim do casamento, a solidão, tudo contribuindo para a construção de um "muro" que o isolava da sociedade e o jogava nos delírios de um regime totalitário – uma metáfora singela para a barreira imposta ao homem pelo mundo moderno, através do capitalismo, da religião e de governos controladores.

        Um exemplo claro aparece durante "Goodbye Blue Sky", quando o público é assolado pela imagem de dezenas de bombardeiros em posição. Ao invés de mísseis, as aeronaves atacam despejando o símbolo nazista, da igreja católica, do Islã, a estrela de Davi, os logotipos da Shell, Mercedes, McDonald's... Se há alguém disposto a defender seu ponto de vista, é Roger Waters.

        Assim como Alan Parker fez para o cinema em 1982, Waters transpôs "The Wall" na íntegra para o palco. As situações são as mesmas e as músicas, tocadas na ordem original.

        A produção justifica o orçamento milionário. Um muro ocupava toda a extensão do campo de futebol do estádio Beira Rio (a não ser o centro, erguido ao longo do show). É o muro que serve como base para projeções de qualidade impressionante, que casam grafismos, animações e imagens ao vivo.

        Além disso, todos os efeitos sonoros do disco são reproduzidos com fidelidade. Espalhados pelo estádio, alto-falantes criavam a ilusão de que trens, metralhadoras, aviões e pássaros estavam mesmo dentro do Beira Rio. Não foram poucas as pessoas que ficaram procurando no céu um helicóptero graças a um som de hélices absolutamente convincente. Viram mais tarde, isso sim, um javali inflável repleto de palavras de ordem, pairando sobre o gramado.

        A abertura de cara já recompensou os fãs que passaram horas tentando entrar no estádio – desde o início da tarde a confusão dava o tom nas filas, tanto que quatro horas depois do horário previsto para a abertura dos portões ainda havia gente do lado de fora, o que provocou um atraso de 40 minutos no início do show. Em "In the Flesh", um avião antigo se chocou contra o muro e entrou em chamas. Fogos de artifício vermelho pipocaram na sequência.

        As favoritas do público, como não podia de deixar de ser, foram as mais famosas: "Another Brick in the Wall" (com a participação de crianças que, no entanto, não cantaram de verdade), "Mother", "Hey You", "Comfortably Numb" (Robbie Wyckoff faz a voz de David Gilmour) e "Run Like Hell" (transformada num hino de estádio). Se no disco algumas canções não têm tanta força, ao vivo tudo faz mais sentido e se encaixa – impossível não gostar de "Nobody Home" com Waters cantando sentado em frente a uma televisão.

        São duas horas de duração (mais 20 minutos de intervalo) e não se vê o tempo passar. Friamente ensaiada (sem, portanto, a possibilidade de bis), com tecnologia ainda mais impressionante do que da turnê "U2 360", "The Wall" é uma maravilha do entretenimento moderno. Mesmo quem não é fã de Pink Floyd vai se impressionar com essa versão high-tech, e repleta de política, daquela que é provavelmente a ópera-rock mais famosa da história. Imperdível.

        Depois de Porto Alegre, Roger Waters segue para o Rio de Janeiro, onde toca na quinta-feira (29) no estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, e encerra sua passagem pelo país em São Paulo, com dois shows no estádio do Morumbi, nos dias 1º e 03 de abril.

        Veja abaixo o repertório do show.

        "In the Flesh?"
        "The Thin Ice"
        "Another Brick in the Wall Part 1"
        "The Happiest Days of Our Lives"
        "Another Brick in the Wall Part 2"
        "Mother"
        "Goodbye Blue Sky"
        "Empty Spaces"
        "Young Lust"
        "One of My Turns"
        "Don't Leave Me Now"
        "Another Brick in the Wall Part 3"
        "Goodbye Cruel World"

        Intervalo

        "Hey You"
        "Is There Anybody Out There?"
        "Nobody Home"
        "Vera"
        "Bring the Boys Back Home"
        "Comfortably Numb"
        "The Show Must Go On"
        "In the Flesh"
        "Run Like Hell"
        "Waiting for the Worms"
        "Stop"
        "The Trial"
        "Outside the Wall"

        quarta-feira, fevereiro 08, 2012

        CYNDI LAUPER



        Cyndi Lauper em São Paulo no Via Funchal

        A cantora e compositora norte-americana Cyndi Lauper, em turnê no Brasil, divulgando seu mais recente álbum, “Memphis Blues”, se apresentou em São Paulo, no Via Funchal, em 22/02/11.

        terça-feira, outubro 11, 2011

        Justin Bieber em POAlegre







        Depois de dois shows no Rio e outros dois em São Paulo, o astro canadense Justin Bieber fez sua última apresentação no Brasil essa segunda-feira (10), em Porto Alegre. O popstar chegou à capital gaúcha no início da tarde em um jato particular e foi logo recebido no aeroporto por um grupo de fãs. Respondeu no Twitter poucos minutos depois de deixar o avião: “Recém cheguei a Porto Alegre. Último show no Brasil hoje à noite. Tem sido incrível. Vai ser forte hoje. Já posso ouvir os fãs. Estamos prontos”, disse ele.

        Horas mais tarde, até a contagem regressiva causava histeria entre as quase 25 mil pessoas que aguardavam o início da apresentação no Estádio Beira-Rio (50 mil ingressos foram colocados à venda, mas os lugares distantes do palco ficaram praticamente vazios). Às 20h05, Justin abriu o show com a agitada “Love Me”, para delírio das fãs, em geral meninas com menos de 15 anos.

        Na sequência veio “Bigger” e um puxão de orelha na plateia: depois de encontrar no palco um dos pequenos bastões luminosos que coloriam a plateia, Justin fez o alerta: “Não joguem isso aqui, é plástico e machuca. Se pegar na minha cabeça posso ir para o hospital e não vou conseguir terminar o show”, reclamou. E foi apenas em “U Smile” que o público ouviu a (boa) voz do cantor com alguma nitidez (até então, predominavam os números de dança e Justin contou com o auxílio do playback em vários momentos).





        Antes chamar uma menina da plateia para o palco e dar a ela um buquê de rosas vermelhas durante “One Less Lonely Girl”, Justin aproveitou para elogiar as gaúchas: “Estou no Brasil há alguns dias. Já passei pelo Rio, fui a vários lugares, mas não sabia que aqui tinham tantas garotas bonitas”. E antes de “Somebody To Love” essas mesmas “garotas bonitas” suspiraram ao ver um clipe com imagens da infância do cantor (em um deles, ele cantarolava o alfabeto com cerca de dois anos). Em “Never Say Never”, Justin aproveitou para agradecer ao público: “Eu gostaria de dizer obrigado a todos vocês, porque sem vocês eu não estaria aqui. E nem nos meus melhores sonhos eu imaginava estar em um palco como esse”.

        Enquanto ele fazia a primeira troca de roupa (a outra viria apenas antes do bis), a banda tomou conta do palco com o medley “Give Me Everything”, “Last Friday Night” e “Rolling in the Deep”. Na volta, o público cantou junto o hit “One Time” e a lenta “That Should Be Me”. Depois vieram os covers de “Walk This Way”, do Aerosmith, e “Wanna be startin’ somethin’”, de Michael Jackson. Na segunda, Justin até arriscou um moonwalk e um curto solo de bateria.

        Ainda viriam “Eenie Meenie” (resultado de uma parceria com o rapper Sean Kingston) e “Down to Earth” (boa parte dela tocada no piano pelo próprio Justin), a última antes do bis. Quando voltou para o encerramento, Justin novamente tentou alguma comunicação e perguntou que música a plateia queria ouvir. Esperava que a resposta fosse “Baby”, seu maior hit, mas recebeu apenas alguns gritos desconjuntados. Mais uma vez, o público não entendeu o que ele tinha dito. Mas também nem precisou. “Baby” foi cantada em coro e encerrou bem o último show do ídolo teen nessa primeira passagem pelo Brasil.

        “Foi a melhor experiência da minha vida”, disse Amanda Menezes, 12 anos, que chegou ao estádio doze horas antes do show. Com ela estava a prima, Júlia Reali Souza, 14, que não continha as lágrimas: “Sou fã desde sempre”. Mas nem mesmo elas ficaram totalmente contentes: “A gente não gostou da menina que ele chamou no palco. Pedimos para o pessoal da produção nos chamar, mas eles nem olharam e já disseram que não."

        Setlist

        1. Love Me
        2. Bigger
        3. You Smile
        4. Runaway Love
        5. Never Let You Go
        6. Favorite Girl
        7. Trusted Issues
        8. One Less Lonely Girl
        9. Somebody to Love
        10. Never Say Never
        11. Medley vocal: Give me Everything / Last Friday Night / Rolling in the Deep
        12. One Time
        13. That Should Be Me
        14. Wanna Be Starting Something / Walk this Way
        15. Eenie Meenie
        16. Down to Earth

        Bis

        17. Baby

        sexta-feira, outubro 07, 2011

        Eric Clapton empolga fãs em show em Porto Alegre


        Ídolo da guitarra apresentou sequência irresistível de hits
        Um Deus das seis cordas esteve no palco do Estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira (06/10). Eric Clapton apareceu pontualmente às 22h, dando início ao show com uma série eletrizante. Em cerca de duas horas, mostrou muito rock e poucas palavras.

        Going Down Slow inaugurou o set list, seguida de outras faixas célebres de seu repertório, como Key to the Highway e Hoochie Coochie Man. Os ótimos músicos da banda tiveram espaço para mostrar seus talentos, principalmente os tecladistas.

        Depois do agito, Clapton se sentou para um trecho eletroacústico. Entre os destaques, Nobody Knows You When You're Down and Out.

        Os fãs que lotaram o local não se decepcionaram. Acompanharam cada acorde e cantaram cada trecho dos grandes hits. Layla veio em uma versão mais calma. A balada romântica Wonderful Tonight embalou os casais na pista.

        Por fim, Clapton voltou a agitar com sua guitarra indomável, encerrando o show com a clássica Cocaine. O público pediu bis e, claro, foi atendido. Crossroads foi a escolhida. Insaciáveis, os fãs queriam ainda mais, mas os Deuses também precisam descansar.

        sábado, maio 21, 2011

        RPM




        RPM aposta alto em cenário e músicas inéditas em novo show
        Público que lotou o Credicard Hall, no entanto, só queria saber dos sucessos dos anos 1980





        Ambição é o que não falta neste novo - o quinto - retorno do RPM. A banda, maior sucesso do rock brasileiro dos anos 1980, subiu nesta sexta-feira ao palco do Credicard Hall, em São Paulo, para estrear a turnê "Elektra", mesmo nome do álbum que o grupo pretende lançar na metade do ano. O quarteto investiu pesado na produção do show: estruturas de metal que se movimentam compõem o cenário e em alguns momentos um telão transparente projeta imagens na frente do palco. Para a direção do espetáculo, foi contratado o experiente diretor teatral Ulysses Cruz.

        Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni também foram ambiciosos na escolha do repertório do show - pelo menos no início da noite. Abriram a apresentação com duas músicas do novo disco, "Muito Tudo" e "Dois Olhos Verdes". As duas faixas lembraram muito o som de bandas como o Killers, que na última década fizeram bastante sucesso se inspirando no rock e no pop dos anos 1980. Foi uma tentativa clara do RPM de soar mais "moderno", mas sem perder as suas características.



        O problema é que o público que lotou o Credicard Hall não queria saber de novidades e só se empolgou na quinta música, "Louras Geladas", o primeiro clássico da noite. Foi assim a apresentação inteira: apatia não apenas em todas as canções inéditas, mas também em canções das outras voltas do RPM (nem "Vida Real", música tema do programa Big Brother Brasil, empolgou) e lados B oitentistas. O grupo pelo menos foi sábio em guardar os maiores sucessos para a reta final do show.

        Foi uma sequência que fez todos se levantarem das cadeiras. Começou com as engajadas "Revoluções por Minuto" e "Alvorada Voraz" e pegou fogo mesmo com "Rádio Pirata" (intercalada com trechos de "Light My Fire" do The Doors, "You Can't Always Get What You Want" dos Rolling Stones, "All You Need Is Love dos Beatles e até "Use Somebody", do Kings of Leon) e a obrigatória "Olhar 43". O bis, em compensação, foi um balde de água fria: as inéditas "Crepúsculo" e "Dois Olhos Verdes" (tocada de novo) serviram só de trilha sonora para o público deixar a casa.

        No miolo da apresentação, houve ainda dois momentos que empolgaram a plateia: "A Cruz e a Espada", dedicada a Renato Russo (em compensação, "Exagerado", dedicada a Cazuza, veio numa versão constrangedora); e "London, London", que Paulo Ricardo cantou pendurado numa das estruturas de metal que compunham o cenário. O cantor, aliás, não perdeu a pose de símbolo sexual com o passar dos anos: continua arrancando gritos de "lindo!" toda vez que grita um de seus característicos "au!".

        Veja abaixo o repertório do show:

        01. "Muito Tudo"
        02. "Dois Olhos Verdes"
        03. "Vida Real"
        04. "Rainha"
        05. "Louras Geladas"
        06. "A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade"
        07. "Juvenília"
        08. "Liberdade/Guerra Fria"
        09. "A Cruz e a Espada"
        10. "Exagerado"
        11. "Onde Está o Meu Amor?"
        12. "London, London"
        13. "Flores Astrais"
        14. "Ela É Demais (Pra Mim)"
        15. "Revoluções por Minuto"
        16. "Alvorada Voraz"
        17. "Rádio Pirata"
        18. "Olhar 43"

        Bis

        19. "Crepúsculo"
        20. "Dois Olhos Verdes"

        sábado, maio 07, 2011

        JOHN FOGERTY



        John Fogerty inicia turnê brasileira com show no Rio
        Ex-líder do Creedence Clearwater Revival também cantará em Belo Horizonte e São Paulo



        O cantor e guitarrista John Fogerty

        O ex-líder do Creedence Clearwater Revival, John Fogerty, inicia nesta sexta-feira (06/05) sua primeira turnê pelo Brasil. O primeiro show acontece no Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Depois, ele segue para Belo Horizonte (sábado, 07) e São Paulo (domingo, 08, e terça-feira, 10). A turnê também previa uma apresentação em Curitiba, mas a performance foi cancelada.

        Fogerty integrou o Creedence Clearwater Revival entre 1968 e 1972. Vocalista e principal guitarrista da banda, também compôs os maiores sucessos do grupo, como "Proud Mary", "Born on the Bayou" e "Have you Ever Seen the Rain". Desde 1973, segue em carreira solo.

        Sua relação com os demais integrantes de sua ex-banda não é das melhores. Fogerty até moveu um processo contra Stu Cook e Doug Clifford, que formaram o Creedence Clearwater Revisited (o grupo já veio ao Brasil em várias oportunidades), acusando-os de plágio. Diz a lenda que ele também nunca mais falou com seu irmão Tom, também membro do Creedence, desde o fim do grupo.

        Depois de mais de uma década sem tocar canções da antiga banda, Fogerty voltou a incluir canções do repertório do Creedence em seus shows em 1985. Na atual turnê, músicas como "Born on the Bayou", "Bad Moon Rising" e "Proud Mary", entre outras, são presença certa.

        Serviço

        John Fogerty no Rio de Janeiro
        Sexta-feira (06), às 22h
        Citibank Hall (Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca)
        Ingressos: R$ 250 a R$ 450

        John Fogerty em Belo Horizonte
        Sábado (07), às 22h
        Chevrolet Hall (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi)
        Ingressos: R$ 140 a R$ 220

        John Fogerty em São Paulo
        Domingo (08), às 20h, e Terça (10), às 22h
        Credicard Hall (Avenida das Nações Unidas, 17981, Santo Amaro)
        Ingressos: R$ 100 a R$ 600

        o Carmo, 230, Savassi)
        Ingressos: R$ 140 a R$ 220

        John Fogerty em São Paulo
        Domingo (08), às 20h, e Terça (10), às 22h
        Credicard Hall (Avenida das Nações Unidas, 17981, Santo Amaro)
        Ingressos: R$ 100 a R$ 600

        quarta-feira, abril 13, 2011

        ROXETTE




        Roxette encanta fãs em Porto Alegre
        Dupla sueca lotou o Pepsi On Stage para show repleto de hits

        De volta a Porto Alegre depois de 19 anos, o Roxette provou que a soma de memória afetiva mais um bom tempo afastado dos palcos é garantia de sucesso.

        Com um set list dividido entre a fase áurea da banda e de seu último disco, a dupla formada pelos suecos Marie Fredriksson e Per Gessle emocionou o público que lotou o Pepsi On Stage na noite desta terça-feira, no primeiro espetáculo da turnê brasileira.

        Seguindo o repertório apresentado em outros shows da turnê latino-americana, o Roxette abriu com a clássica Dressed for Success seguida de Sleeping in My Car.

        Esbanjando disposição e energia, a dupla arrancou respostas boas da plateia mesmo quando tocou músicas novas ou menos famosas, como She's Got Nothing On (But the Radio), 7Twenty7 e Opportunity Nox.

        Mas é nos hits de bailinhos da década de 1990 que a banda rege um verdadeiro coro de vozes (por vezes, deixando os fãs cantarem trechos inteiros), com It Must Have Been Love, Fading Like a Flower (Every Time You Leave), How Do You Do!, Dangerous e Joyride emendadas antes do primeiro bis.

        Simpáticos, os suecos agradeceram o calor do público e até dedilharam um trecho do hino do Rio Grande do Sul.

        Na sequência, em mais um bis, sobrou tempo para mais clássicos, entre eles Spending My Time, The Look e Listen to Your Heart. Encerram o show com uma versão acústica de Church of Your Heart.

        domingo, abril 03, 2011

        Ozzy Osbourne


        Ozzy Osbourne cantava "Fairies Wear Boots", a quinta música da noite e primeira do Black Sabbath a aparecer no setlist, quando a chuva caiu forte no Anhembi. O cantor foi rápido: pegou um dos baldes com água que joga na plateia e despejou o conteúdo inteiro em sua cabeça. Com sua roupa preta toda molhada, os cabelos pelo rosto, foi até o microfone e esbravejou para a plateia: "f...-se a chuva". A plateia, óbvio, obedeceu e não ligou para os desmandos de São Pedro.

        O cantor subiu ao palco pontualmente às 21h30 e, mesmo antes do primeiro acorde, conclamou: "quero ver vocês ficarem loucos esta noite". Abriu os trabalhos com "Bark at the Moon", do disco homônimo de 1983, e logo emendou com "Let Me Hear You Scream", única representante do último disco, "Scream" (2010), a figurar no repertório. Aos 62 anos, Ozzy tem uma certeza: os fãs que comparecem a seus shows querem saber dos clássicos - e dá boas doses deles em uma hora e meia de show.


        "Vocês sentiram minha falta?", pergunta ao microfone, logo antes do teclado marcar a chegada de "Mr. Crowley". Ozzy vai usando esses truques fáceis em praticamente todos os intervalos entre as canções. Como era de se esperar, a plateia entra no jogo e vai aumentando os gritos gradativamente, até que o cantor se satisfaça. É o típico show em que o mestre de cerimônias pode fazer quase qualquer coisa que o público vai gostar.

        Ozzy usa esse poder para mascarar os pequenos defeitos do show. O cantor, provavelmente com dificuldade em alcançar os agudos da juventude, altera o tom de algumas músicas, descaracterizando de leve riffs clássicos como o de "Iron Man". Coisas da vida, ainda mais com o sempre problemático som do Anehmbi prejudica ndo as nuances do baixo. Como representante vivo dos anos 70, Ozzy se dá ao direito de manter um momento para um longo solo de bateria e um de guitarra em "Rat Sallad", também do Sabbath, onde o competente guitarrista Gus G. aproveita para ganhar ainda mais a plateia com uma versão turbinada de "Brasileirinho".

        Mas, talvez, o maior sentimento que se sinta no ambiente do show seja reverência. À frente de um séquito de devotos está um dos homens responsáveis por criar o heavy metal e trazer a obscuridade para o rock n' roll. Todo moleque que já teve cabelo comprido em seus 14, 15 anos tem uma dívida com Ozzy, e, com isso, perdoa os deslizes de seu ídolo - afinal, ele já não tem a voz de um jovem.

        Os grandes momentos da apresentação surgem com os clássicos incontestes do Sabbath. O bumbo que anuncia "Iron Man" é acompanhado por uma coreografia involuntária de punhos para cima, enquanto o coro da plateia junto ao riff de guitarra final de "War Pigs" mostra um dos momentos mais próximos que o rock pode chegar de um culto.

        "Crazy Train" acaba a primeira parte do show com o público em ritmo tão frenético que o cantor nem sai do palco para voltar para o bis. Na sequência, emenda uma versão envolvente de "Mama I'm Coming Home" e uma semi-capenga de "Paranoid", que de alguma forma resume bem o show: aquele senhor no palco merece louvor, mas aos 62 anos mostra que já teve momentos melhores. Se a perfeição técnica já não é possível, fica o registro histórico.

        Ozzy faz mais três shows no Brasil. Na terça-feira, 5, ele se apresenta no ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Na quinta, 07, é a vez do Rio de Janeiro, no Citibank Hall. A turnê acaba no dia 9, com show no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte.

        Veja o setlist completo do show

        1 - "Bark at the Moon"
        2 - "Let me Hear You Scream"
        3 - "Mr Crowley"
        4 - "I don't know"
        5 - "Fairies Wear Boots"
        6 - "Suicide Solution"
        7 - "Road to Nowhere"
        8 - "War Pigs"
        9 - "Shot in the Dark"
        10 - "Rat Sallad"
        11 - "Iron Man"
        12 - "I Don't Wanna Change The World"
        13 - "Crazy Train

        Bis

        14 - "Mama I'm Coming Home"
        15 - "Paranoid"

        segunda-feira, março 28, 2011

        IRON MAIDEN









        Bruce Dickinson : Iron Maiden tocou para 55 mil pessoas em São Paulo

        Lá pela metade do show do Iron Maiden em São Paulo, na noite calorenta deste sábado (26), o primeiro da turnê brasileira, Bruce Dickinson parecia desnorteado. O público gritava o nome do vocalista, ele tentou dizer uma frase, não conseguiu. Bateu no peito, emocionado, e o exército formado por 55 mil pessoas de camiseta preta que lotaram o estádio Morumbi começou o coro de "Maiden, Maiden". "Esperamos seis semanas desde o início da turnê mundial para finalmente estar aqui", disse, finalmente, Dickinson. A plateia delirou. É mais ou essa a relação que os fãs brasileiros mantêm com a lenda do heavy metal, e justifica a frequência com que os britânicos vem para cá – esta é a nona passagem do grupo pelo Brasil.


        Ao mesmo tempo, não é uma relação, digamos, completamente sincera. O show já havia avançado algumas músicas quando o vocalista se dirigiu ao público para avisar que o repertório traria uma mistura de canções novas, do álbum futurista “The Final Frontier”, lançado em agosto do ano passado, e “muita coisa legal das antigas”. Além disso, prometeu que aquela seria uma “noite especial”, guardada especialmente para os brasileiros. Se ele se referia ao setlist, não cumpriu: as 16 faixas foram as mesmas tocadas nos demais shows da América Latina e até no começo da turnê, em fevereiro, na Austrália.

        O que não é um demérito. Desde o início percebe-se que o espetáculo segue um roteiro bem elaborado, casando vídeos, imagens no fundo do palco e intervenções tecnológicas. Enquanto uma parte da plateia torce o nariz para “The Final Frontier”, deixando bem claro que o álbum não é uma unanimidade, a outra, bem maior, canta junto e comemora as faixas. Foi assim logo na abertura. Um vídeo com espaçonaves, muito fogo, o monstro Eddie – mascote da banda – e até águas-vivas acompanhava a parte instrumental da faixa-título, até que o sexteto, enfim, surgiu no palco. No fundo, luzes brilhavam para simular a vastidão do universo, até porque o céu da cidade não estava nada estrelado.


        “Scream for me, São Paulo”, gritou Dickinson, naquela que é sua marca registrada. Sua performance, aliás, continua exatamente a mesma – vestindo calça camuflada e uma camiseta onde se lia “Psych Ward” (ala psiquiátrica), Bruce cantou muito, deu seus saltos acrobáticos e correu de um lado para o outro do palco, andando por cima das plataformas montadas ao lado da bateria. As estruturas, seguindo o conceito do álbum, eram a fuselagem de uma nave. O Iron Maiden sempre teve uma quedinha pela dramaturgia.

        A primeira música a levantar o público de verdade foi "2 Minutes do Midnight", do disco “Powerslave”, de 1984, prova de que, apesar da boa vontade, os fãs queriam mesmo era vibrar com os sucessos, como na turnê de greatest hits "Somewhere In Time", de 2008, que passou pelo país com três shows esgotados. O povo urrava no refrão e pulava junto meio inconscientemente, no ritmo do baixo de Steve Harris.

        Está aí, inclusive, algo que nunca deixa de impressionar no Iron Maiden ao vivo. Apesar da competência do pelotão de guitarras de Janick Gers, Adrian Smith e, principalmente, Dave Murray, é o baixista Harris que chama atenção, fuzilando os ouvidos com seu instrumento, sempre em posição de ataque. A bateria de Nicko McBrain não fica muito atrás – os dois dominaram a mixagem nas caixas de som.

        “Eu sei que vocês vão para a igreja amanhã cedo”, brincou o vocalista, “mas a gente não dá a mínima e vamos mantê-los acordados a noite toda”. Não foi exatamente assim que aconteceu, embora “Dance of Death” e “The Trooper” (com direito àquela bandeira em frangalhos da Grã-Bretanha), outros clássicos da banda, devam estar reverberando na cabeça dos fanáticos até agora. São eles que cantam junto, vocalizam as guitarras e não baixam os braços em riste. Foram eles que deixaram Bruce Dickinson sem voz e o Iron Maiden, estupefato.

        A turnê do álbum "The Final Frontier" pode ser a última dos metaleiros britânicos

        Essa empatia não é de graça. Há duas semanas, a banda estava viajando de Seul para Tóquio, no Boeing pilotado pelo vocalista, quando os terremotos sacudiram a Ásia e provocaram o tsunami. Os dois shows em solo japonês foram cancelados e, por conta disso, o grupo, sem querer ser “piegas”, como Dickinson advertiu, dedicou a performance de “Blood Brothers” no Morumbi aos fãs do Japão. O vocalista foi ainda mais longe. “Aos amigos do Maiden no Egito, Síria e Líbia. Não importa sua cor, religião ou sexo. Se você é fã do Maiden, você é da família.”

        A sequência final do show em São Paulo foi de salvar o ingresso de quem estava ressabiado com “The Final Frontier”. Além dos hits “Fear of the Dark” e “Iron Maiden”, o mascote Eddie fez duas aparições. A primeira, caminhando pelo palco, personificado em um boneco de três metros de altura que até ganhou guitarra de um roadie para ensaiar uns acordes. A segunda, mais apoteótica, surgindo gigantesco atrás do palco, com olhos brilhantes, além de cabeça, mandíbula e garras articuladas, numa espécie de destaque de carro alegórico em versão high-tech – sim, isso é um elogio.

        O bis teve mais alegria: "The Number of the Beast", "Hallowed Be thy Name" e “Running Free”, as três do começo da década de 1980, era de ouro da banda. Alheio às histórias de que essa deve ser sua última turnê, em quase 40 anos de carreira, o Iron Maiden provou que ainda tem brilho e vitalidade para sustentar o título de lenda. Não são muitos por aí de quem pode se dizer o mesmo.

        O grupo volta aos palcos neste domingo, no Rio de Janeiro, na Arena HSBC. Ao contrário dos irmãos Max e Iggor Cavalera, que fizeram com o Cavalera Conspiracy o show de abertura na capital paulista (veja fotos) – inclusive tocando hits do Sepultura, como “Territory” e “Roots Bloody Roots” –, no Rio a tarefa cabe à banda Shadowside. Depois, o Iron Maiden segue para Brasília (30/03, estádio Mané Garrincha), Belém (01/04, Parque de Exposições), Recife (03/04, Jóquei Clube) e encerra a viagem pelo Brasil em Curitiba (05/04, Expotrade).

        Veja o setlist do Iron Maiden em São Paulo:

        "Satellite 15... The Final Frontier"
        "El Dorado"
        "2 Minutes do Midnight"
        "The Talisman"
        "Coming Home"
        "Dance of Death"
        "The Trooper"
        "The Wicker Man"
        "Blood Brothers"
        "When the Wind Blows"
        "The Evil That Men Do"
        "Fear of the Dark"
        "Iron Maiden"

        Bis

        "The Number of the Beast"
        "Hallowed Be thy Name"
        "Running Free"
        /////////////////////////RIO JANEIRO/////////////////////////////////////////////////


        Um dia depois de ter de adiar sua apresentação no Rio por conta de uma falha da organização, o Iron Maiden incendiou a HSBC Arena, mas não deu qualquer recompensa especial aos cariocas. A banda seguiu exatamente o setlist que vem sendo tocado, como aconteceu em São Paulo, e, apesar de um show enérgico e tecnicamente perfeito, ficou uma sensação de falta de flexibilidade e de sensibilidade. Agarrados ao roteiro, Bruce Dickinson e companhia se escoraram em uma produção de alto nível que não deixou o público se importar muito com a falta de improviso e, especialmente, falta de um diferencial para quem enfrentou horas no trânsito caótico até a Barra da Tijuca em plena segunda-feira por conta do cancelamento do show.

        Ao contrário do que aconteceu no domingo, no horário marcado para o início do show já não havia filas do lado de fora. A banda entrou no palco às 21h15 e tocou por duas horas. Dickinson, que na véspera havia mostrado imensa habilidade em controlar a plateia e evitar um grande tumulto ao avisar que o show não poderia acontecer naquele dia, novamente foi impecável como mestre de cerimônias. Citou o fato em dois momentos. A primeira vez, com ironia, logo após "2 minutes to midnight": "Bom ver vocês aqui de novo, temos uma plateia incrível e uma grade novinha. Foi muito cara, mas nós não pagamos, vocês não pagaram, algum 'motherfucker' pagou, então aproveitem", disse o vocalista, antes de agradecer pela forma pacífica com que os fãs deixaram o local no dia anterior (houve relatos de depredação na rede social Twitter).



        Iron Maiden incendiou o público durante o show no Rio

        Ao citar adiamento, Dickinson faz referência ao Japão
        Na segunda vez em que Dickinson mencionou o episódio, referência ao Japão, colocando em perspectiva o problema técnico no Rio. Cerca de 10 minutos antes de pousar em Tóquio para um show em março, o avião da banda foi avisado que teria de desviar para Nagoya, em função do terremoto, e a apresentação teve de ser cancelada. "Tivemos um problema aqui no Rio, mas também tivemos um problema na turnê em Tóquio, por causa do terremoto. Vocês devem se sentir sortudos por morar no Brasil", disse Dickinson, ovacionado. Emendou com uma frase contra o racismo: "Não importa se você é negro, branco, japonês, índio, são todos fãs do Iron Maiden".




        Com um público que misturava jovens e veteranos, a banda mostrou que não vive apenas de passado. Boa parte das canções dos discos mais recentes, como "The wicker man", do "Brave new world", "Dance of death", do álbum homônimo, tiveram acompanhamento em coro do público. A mistura das novidades com os clichês da banda agradaram ao público. Enquanto Nicko McBrain tocava enfurecido, enclausurado em seu mundinho particular de surdos e pratos, Dickinson usou o seu "bordão" quatro vezes. A cada "scream for me, Rio (grite para mim, Rio)", a resposta da pista era intensa.

        "Reciclagem" de parte do figurino e cenografia
        Como aconteceu na turnê de 2009 ("Somewhere back in time"), quando o Iron Maiden trouxe ao Brasil o palco completo inspirado na turnê "World Slavery Tour" (1984/85), do álbum "Powerslave, desta vez os ingleses também capricharam na cenografia. Puderam ser vistas algumas repetições do show apresentado na Apoteose há dois anos. Em "The trooper", clássico do disco "Piece of mind", por exemplo, Dickinson novamente vestiu a farda vermelha e sacudiu como louco a bandeira da Inglaterra por todos os cantos do palco, enquanto Steve Harris "metralhava" os fãs com o baixo. Na primeira música do bis, "The number of the beast", o mesmo capeta, meio bode, meio homem, surgiu no palco.



        Bruce Dickinson esbanjou energia no show do Iron Maiden, no Rio, e ironizou falha técnica que levou ao adiamento no domingo

        A primeira novidade foi a nova versão do monstrengo Eddie, reproduzindo a ilustração que estampa a capa de "The final frontier", álbum lançado em 2010 e que dá nome à turnê. Bem articulado e cheio de detalhes, o boneco entrou no palco endiabrado e chegou a pegar uma guitarra para brincar com os músicos em "The evil that men do", do disco "Seventh son of a seventh son".

        A grande surpresa da noite veio em um momento nada surpreendente. Como é tradição da banda, na virada da música que nomeia o grupo, "Iron Maiden", uma figura gigantesca de Eddie surgiu atrás do palco, fazendo a múmia da turnê anterior parecer antiquada. Mexendo dedos, boca, cabeça e cheio de detalhes, a nova versão do boneco tomou toda a extensão do palco. Não soltou fogo pelos olhos, como a múmia anterior, mas arrancou gritos de "Eddie". Um dos olhos da criatura chegou a falhar no fim, mas nada que atrapalhasse o grande momento do show.

        Banda ignora gritos por mais um bis e se agarra ao roteiro
        O momento de frustração ficou para o final. Depois de "Running free", o encerramento do setlist que vem sendo usado em sequência, Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers atiraram palhetas, Dickinson já jogara o seu gorro, Nicko revezava arremessos de baquetas e freesbies. As luzes, acesas, se apagaram. A iluminação púrpura do palco futurista foi retomada. E surgiu o coro pedindo "Run to the hills". O palco permaneceu apagado e o público continuou a gritar pedindo a volta da banda, até os roadies entrarem em cena para mostrar que não havia jeito. Pegou mal. O público deixou a arena ao lado de "Always look on the bright side of life", fato corriqueiro, mas que, em função do clima criado pela expectativa de um novo bis com as luzes apagadas, soou como ironia. Bastaria uma canção a mais para fechar a noite em alta.



        "Satellite 15... The Final Frontier"
        "El Dorado"
        "2 Minutes do Midnight"
        "The Talisman"
        "Coming Home"
        "Dance of Death"
        "The Trooper"
        "The Wicker Man"
        "Blood Brothers"
        "When the Wind Blows"
        "The Evil That Men Do"
        "Fear of the Dark"
        "Iron Maiden"

        Bis
        "The Number of the Beast"
        "Hallowed Be thy Name"
        "Running Free"

        quarta-feira, março 16, 2011

        SHAKIRA POA / SP




        Na primeira apresentação em solo brasileiro da nova turnê, a cantora Shakira esbanjou simpatia, abusou das danças sensuais e lançou mão até de regionalismos para levantar o público de Porto Alegre. O repertório formado por hits atuais e alguns sucessos de passado foi o bastante para compor um show, se não eletrizante, pelo menos dançante e divertido do início ao fim.




        Em 1h40 de show, Shakira tocou gaita de boca, fez performances com o pedestal do microfone, mostrou sua dança do ventre, arrancou a blusa e se sacudiu muito, de todas as formas possíveis. Falando sempre em português, disse “eu sou gaúcha” e ainda chamou ao palco quatro “gúrias” – ela tentava dizer “gurias” –, para a euforia dos fãs do Rio Grande do Sul

        O show aconteceu 14 anos depois da primeira apresentação da colombiana em Porto Alegre. Em 1997, os porto-alegrenses pagaram R$ 20 para assistir a então estrela em ascensão cantar, no ginásio do Gigantinho, sucessos como “Estoy aqui” e “Pies Descalzos”, circunscritos ainda ao cenário latino-americano.

        Shakira voltou à capital gaúcha na noite desta terça com o status da cantora latina que alcançou o estrelato mundial, vencedora de dois prêmios Grammy e com mais de 60 milhões de discos vendidos. Para um público de 23 mil pessoas, que pagaram ingressos de R$ 125 a R$ 450, ela cantou sucessos mais atuais como “Hips Don’t Lie”, “Whenever, Wherever” e “Waka Waka”. Quando a música não empolgava, um sacolejar de corpo era o bastante para levantar o público, que lotou o estacionamento da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

        Às 22h11, Shakira surgiu em meio ao público, literalmente. Por uma passarela que dava acesso ao palco, ela entrou usando um longo vestido rosa e cantando “Pienso en Ti”, música do seu primeiro disco, enquanto era tocada e às vezes agarrada pelos fãs. No palco, ela arrancou o vestido e levantou o público cantando “Why Wait” e “Te Dejo Madrid”. Na sua primeira saudação, conquistou o público apelando também ao bairrismo dos gaúchos.

        “Olá, Porto Alegre. Como está minha gente do Brasil? Eu tinha muita saudade de vocês. Estou tão feliz de estar aqui. Muitíssimo obrigada por terem vindo. Meu único desejo hoje é que vocês se divirtam muito. Então, aproveitem. Aproveitem, porque eu sou gaúcha”, disse a cantora, arrancando gritos delirantes dos fãs.

        As referências ao Rio Grande do Sul não pararam por aí. Em sua banda, que mais parece uma reunião das Nações Unidas, Shakira conta com o talento de um gaúcho, o guitarrista Grecco Buratto. “Bem vindo à casa”, disse ela ao apresentar o músico. A própria banda levantou uma faixa escrita “Nós amamos Grecco”. A plateia então puxou o sempre constrangedor “Ah, eu sou gaúcho”. Mais um momento de euforia.

        Regionalismos à parte, Shakira animou seus fãs com uma apresentação que começou com baladas roqueiras, transitou pelo dance e se esbaldou nos ritmos que a levaram ao estrelato. Houve espaço até para uma versão andina e intimista de “Nothing Else Matters”, do Metallica, acompanhada de bombo e charango.

        Com sucessos de seus últimos discos e muita dança, Shakira arrebatou adolescentes, mulheres e marmanjos com simpatia e sem perder a energia durante o espetáculo que foi até as 23h52. Agradeceu várias vezes e manteve sempre o sorriso no rosto. Com o palco próximo do público, houve momentos de sintonia fina entre a colombiana e seus fãs gaúchos.

        O show foi perdendo o embalo do meio para o fim, mas o público voltou a entrar em combustão na hora do bis, quando Shakira cantou “Antes de las Seis” e “Hips Don’t Lie”, encerrando a apresentação com o hit “Waka Waka”, que tornou Shakira uma das protagonistas da Copa do Mundo da África do Sul.

        A primeira apresentação de Shakira na turnê The Pop Festival no Brasil teve ainda as apresentações da banda gaúcha Chimarruts, Train, Ziggy Marley e Fatboy Slim, que encerrou a noite. A colombiana se apresenta quinta em Brasília e sábado em São Paulo.

        Repertório do show em Porto Alegre:

        Why Wait
        Te Dejo Madrid
        Si te vas
        Whenever, Wherever
        Inevitable
        NEM/Despedida
        Gypsy
        La Tortura
        Ciega Sordomuda
        Sale el Sol
        Las de la Intuición
        Loca
        Loba
        Ojos Así

        - bis -

        Antes de las Seis
        Hips Don’t Lie
        Waka Wakag.com.br
        //////////////////]]]]]]]]]]]]]]em SÃO PAULO]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]


        Shakira em São Paulo

        A turnê de Shakira pelo Brasil teve seu maior show neste sábado, em São Paulo. Debaixo de uma garoa fina, a cantora colombiana se apresentou diante de mais de 50 mil pessoas no estádio do Morumbi. Durante uma hora e meia de performance, ela fez de tudo um pouco. No início da apresentação, encarnou uma estrela de rock. No meio, enfatizou suas raízes latinas. As músicas mais dançantes ficaram para o final.

        Para começar, o rock. Apesar de ter começado a apresentação de uma maneira meiga (caminho por uma passarela no meio do público e usando um vestido rosa, enquanto cantava a balada "Pienso em Ti"), logo em seguida Shakira apostou em seu lado roqueiro. As guitarras deram o tom em canções como "Te Dejo Madrid" e "Whenever, Wherever", deixando uma parte do público surpresa.

        A cantora também fez a sua parte: o modo como balançava os cabelos e segurava o pedestal do microfone lembrava mais uma figura como Axl Rose do que, digamos, uma Madonna. Nada de coreografias, dançarinos ou figurinos rebuscados: apenas Shakira cantando um bom rock de arena. Funcionou bem.

        A Shakira roqueira desapareceu, curiosamente, quando ela interpretou uma música do Metallica, "Nothing Else Matters", num arranjo cheio de latinidade. Foi a deixa para a artista abusar de clichês como a dançarina cigana de "Gypsy". Curioso: quando tentou parecer mais latina, Shakira pareceu menos autêntica.


        Ainda bem que o bloco final colocou o show de volta nos trilhos. Começou com "Loca" (nessa hora, as inevitáveis dançarinas que uma diva pop requere apareceram), seguiu com "She Wolf" e terminou com "Ojos Así". As três transformaram o Morumbi numa pista da dança, e foram um ótimo pretexto para a cantora mostrar o seu famoso rebolado.

        Seus dois maiores sucessos, "Hips Don't Lie" e "Waka Waka", foram guardados para o bis. Sábia decisão: o show terminou em alta temperatura, que nem a insistente garoa conseguiu estragar.

        A apresentação em São Paulo, a princípio, seria a última da turnê brasileira. Mas o show em Brasília, que deveria ter acontecido na última quinta-feira mas foi cancelado por causa das chuvas, foi remarcado para o dia 24 de março.

        Veja abaixo o repertório da performance em São Paulo:

        "Pienso em Ti"
        "Why Wait"
        "Te Dejo Madrid"
        "Si Te Vas"
        "Whenever, Wherever"
        "Inevitable"
        "Nothing Else Matters"
        "Despedida"
        "Gypsy"
        "La Tortura"
        "Ciega Sordomuda"
        "Sale El Sol"
        "Las de la Intuición"
        "Loca"
        "She Wolf"
        "Ojos Así"

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