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quinta-feira, dezembro 06, 2018

Você sabia que o Bangu já foi “campeão mundial”? Entenda a história

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Matéria do jornal The New York Times destacando o título do Bangu

Considerado um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro, Bangu Atlético Clube tem como uma das suas maiores glórias a conquista de um torneio pouco lembrado no Brasil: a International Soccer League, uma das primeiras tentativas de se criar uma competição a nível mundial entre clubes.

Idealizada pelo milionário William B. Cox, acreditando que o futebol poderia se tornar tão popular nos Estados Unidos quanto no resto do mundo, a International Soccer League seguiu todos os parâmetros para ser uma competição “dentro da lei”. Cox filiou a ISL na American Soccer Leaguer, uma liga reconhecida pela US Army Soccer Association (USSFA), única entidade autorizada pela FIFA para gerenciar o futebol em terras norte-americanas na época.

Onze países ficaram incumbidos de enviar à Nova York e Nova Jersey, as duas sedes do torneio, seus melhores representantes. Campeão mundial dois anos antes, o Brasil foi um dos primeiros a receber um convite. Por falta de uma competição nacional regular, ficou definido que o representante brasileiro seria do Rio de Janeiro, Distrito Federal do país na época. Vice-campeão carioca no ano anterior, o Bangu foi escolhido prontamente para suprir a vaga do campeão Fluminense, que rejeitou o convite por problemas no calendário.

Aliás, essa foi a principal justificativa para outros países não mandarem seus respectivos campeões. Por exemplo, a Oberliga Süd, a primeira liga de futebol da Alemanha, foi representada pelo terceiro colocado FC Bayern München. Já a Itália teve a Sampdoria, apenas o quinto colocado na última competição nacional, como seu representante.

Problemas superados, fato é que o torneio empolgou o povo norte-americano, fazendo até o prefeito de Nova York, Robert F. Wagner Jr., apresentar aos meios de comunicação, em 24 de maio de 1960, as equipes que fariam parte da ambiciosa competição mundial.


A competição
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Confronto entre Kilmarnock e Glenavon, válido pelo grupo 1

Nos primeiros dias do mês de julho, as onze equipes internacionais juntaram ao New York Americans, formada por atletas britânicos para representar o país sede, para as iniciações da competição. Como definido em regulamento, elas seriam divididas em dois grupos, onde só o primeiro colocado de cada se classificaria para a final.


 bangu campeao
















 Grupo 1

 Sede: Downing Stadium e Roosevelt Stadium, em Nova Jersey
Kilmarnock Football Club (Vice-campeão Escocês de 1959/60)
Burnley Football Club (Campeão Inglês de 1959/60)
OGC Nice (Campeão Francês de 1958/59)
New York Americans (Representante do país sede)
FC Bayern München (3º lugar Oberliga Süd de 1959/60)
Glenavon Football Club (Campeão Norte-Irlandês de 1959/60)
Grupo 2
Sede: Estádio Polo Grounds, em Nova York
Bangu Atlético Clube (Vice-campeão Carioca de 1959)
Estrela Vermelha de Belgrado (Campeão Iugoslavo de 1959/60)
Unione Calcio Sampdoria (5º lugar Campeonato Italiano de 1958/59)
Sporting Clube de Portugal (Vice-campeão Português de 1959/60)
IFK Norrköping (Campeão Sueco de 1960)
Sportklub Rapid Wien (Campeão Austríaco de 1959/60)

Por parte do Bangu, chegaram à Nova York uma delegação composta por 17 jogadores (Entre eles o campeão mundial Zózimo e o jovem Ademir da Guia), o chefe da delegação Sérgio Vasconcelos, o médico Ivon Côrtes e o jornalista Antônio Cordeiro.

Campanha do Bangu
bangu campeao
Com uma média de mais de 15 mil torcedores por partida, o Bangu foi a grande sensação da primeira fase. Jogando um futebol vistoso, os brasileiros classificaram-se para a final de maneira invicta, com quatro vitória (sobre Sampdoria, Rapid Wien, Sporting e Estrela Vermelha) e um empate (contra IFK Norrköping). Destaque para a dupla Zé Maria e Luís Carlos, artilheiros da equipe na primeira fase, com cinco gols cada.

Jogos do Bangu na primeira fase
4 de Julho de 1960 – Bangu 4 x 0 Sampdoria (Estádio Polo Grounds)
10 de Julho de 1960 – Bangu 3 x 2 Rapid Wien (Estádio Polo Grounds)
16 de Julho de 1960 – Bangu 5 x 1 Sporting (Estádio Polo Grounds)
20 de Julho de 1960 – Bangu 0 x 0 IFK Norrköping (Estádio Polo Grounds)
31 de Julho de 1960 – Bangu 2 x 0 Estrela Vermelha (Estádio Polo Grounds)

Classificação – Grupo 2
1 – Bangu (Brasil) 9 pontos CLASSIFICADO
2 – Estrela Vermelha (Iugoslávia) 7 pontos
3 – Sampdoria (Itália) 5 pontos
4 – Sporting CP (Portugal) 4 pontos
5 – IFK Norrköping (Suécia) 3 pontos
6 – Rapid Wien (Austria) 0 ponto
Observação: A vitória valia 2 pontos; empate 1
Na final, os brasileiros teriam pela frente o Kilmarnock, outra equipe também invicta no torneio.

A FINAL

Revista sobre a final da ISL, marcada para o dia 6 de agosto de 1960
Em jogo único, no dia 6 de agosto de 1960, o Bangu bateu o clube escocês, com dois gols de Válter, e faturou o título para o Brasil, no Estádio Polo Grounds. Naquele momento, a equipe da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro era referenciada como o melhor time do planeta. Tanto que após o final da partida, em um dos atos mais memoráveis da história do futebol, os próprios jogadores do Kilmarnock carregaram nos braços o capitão do alvirrubro,  Décio Esteves.

O capitão Décio Esteves sendo carregado nos braços pelo jogadores escoceses.
O capitão Décio Esteves sendo carregado nos braços pelo jogadores escoceses.
Kilmarnock 0 X 2 Bangu
Estádio: Estádio Polo Grounds
Árbitro: James McLean
Público: 25.440
BANGU – Ubirajara, Joel e Darci Faria; Zózimo, Ananias e Nilton dos Santos; Correia, Zé Maria, Décio Esteves, Valter e Beto.
KILMARNOCK – Jimmy Brown, Jimmy Richmond e Matt Watson; Frak Beattie, Bill Toner e Bobby Kennedy; H. Brown, Jackie McInally, Vernon Wentzel, Bert Black e Billy Muir.
Gols: Valter (2 vezes), aos 3min do 1º tempo e aos 42min do 2º tempo

Nunca houve nenhuma mobilização para que o título do Bangu fosse considerado oficial pela FIFA. Vale lembrar que alguns jornais brasileiros até intitularam a competição como um torneio mundial de futebol, exemplo a Folha de São Paulo em 15 de Janeiro de 1960, mas independente do reconhecimento ou não da entidade, o fato histórico existiu, e deve ser divulgado e eternizado.

Aconteceu ainda mais quatro edições da International Soccer League, chegando a ter até outro brasileiro como campeão, o América-RJ, em 1962, mas a competição nunca mais teve aquela grande repercussão que a primeira edição representou ao mundo.  A justificativa, além de diversos fatores financeiros, está na criação da Copa Intercontinental, que também surgiu em 1960.

BANGU – Elenco campeão International Soccer League 1960
TITULARES – Ubirajara, Joel e Darci Faria; Zózimo, Ananias e Nilton dos Santos; Correia, Zé Maria, Décio Esteves (C), Valter e Beto.
BANCO DE RESERVAS – Aílton, Mário Tito, Paulo César, Ademir da Guia, Luís Carlos e Durval.
Técnico: Elba de Pádua Lima (Tim)

sexta-feira, setembro 22, 2017

Foco no marketing e carinho de Pelé: conheça o clube mais antigo do mundo

Prestes a completar 160 anos de existência, Sheffield FC luta para desenvolver a marca e se manter sustentável nas próximas gerações. Time é semiprofissional e disputa a oitava divisão da Inglaterra.

 

Sheffield é uma das maiores e mais importantes cidades da Inglaterra. Tem quase 600 mil habitantes e fica ao norte de Londres. Economicamente, foi pólo da produção de aço durante muitos anos, inclusive nas duas Guerras Mundiais. Só que essa relevância caiu bastante nas últimas décadas, por conta da produção barata na Ásia.
No esporte, a história é parecida. Hoje, Sheffield não tem um time sequer na primeira divisão. Mas a importância da cidade no futebol vai muito além da Premier League. Foi ali que surgiu o primeiro clube da história. No dia 24 de outubro de 1857, há 159 anos, nascia o Sheffield FC.
Como na época não havia campeonatos, o futebol era só recreação. Com o passar do tempo, o negócio foi ficando um pouco mais sério. Mesmo assim, o Sheffield FC nunca chegou a se profissionalizar. Hoje o clube é semiprofissional e disputa apenas a oitava divisão da Inglaterra (assista à videorreportagem acima).
Motivo de muito orgulhoso: a história do Sheffield FC nas paredes do clube (Foto: Ivan Raupp) Motivo de muito orgulhoso: a história do Sheffield FC nas paredes do clube (Foto: Ivan Raupp) Motivo de muito orgulhoso: a história do Sheffield FC nas paredes do clube (Foto: Ivan Raupp)
O GloboEsporte.com foi até a sede do Sheffield FC para conhecer esse pioneiro do futebol. Ali o luxo passa longe. A estrutura é provisória, à base de contêineres, e é até bem organizada, mas bastante modesta. As paredes mostram com orgulho um poudo dessa história. As prateleiras estão cheias de troféus antigos. E o maior prêmio fica no maior destaque possível, bem à vista: o certificado de primeiro clube de todos os tempos, reconhecido oficialmente pela Fifa.
O estádio se chama "Home of football" (a casa do futebol), mas os objetivos não estão exatamente dentro de campo. O clube mais antigo do mundo se preocupa mesmo com o marketing, para poder se manter sustentável por muito tempo.
- Claro que queremos jogar no nível mais alto possível, mas com a Premier League e os campeonatos europeus sendo tão caros hoje em dia, isso talvez esteja fora do nosso alcance. Disputamos a oitava divisão. Mas como primeiro clube de futebol da história, meu trabalho é garantir que estaremos por aqui pelos próximos 150 anos, protegendo e preservando a herança do jogo: integridade, respeito e comunidade. Então, se somos o primeiro clube do mundo, todo torcedor de futebol vem daqui, o que nos deixa com um público de 3 bilhões de fãs. Gostaríamos de nos conectar com todos eles e, se fizermos isso, podemos criar um clube sustentável para futuras gerações - explicou o presidente do clube, Richard Tims.
O certificado da Fifa de clube mais antigo do mundo (Foto: Ivan Raupp) O certificado da Fifa de clube mais antigo do mundo (Foto: Ivan Raupp)
O certificado da Fifa de clube mais antigo do mundo (Foto: Ivan Raupp)
A venda de produtos oficiais, como camisas e cachecóis, ajuda a fazer caixa. Neste caso, a internet é a melhor ferramento para os fãs espalhados pelo mundo, no Brasil inclusive.
- Também é parte da nossa estratégia. Neste momento estamos empacotando produtos que estão indo para a Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Uruguai. As pessoas compram produtos do Sheffield FC mesmo não torcendo realmente para o clube, pois elas amam o primeiro clube do mundo. Vendemos mais coisas internacionalmente do que na área local - contou Tims.
Palavras marcantes de Pelé
O auge do Sheffield FC ocorreu em 2007, quando o clube fez uma grande festa para comemorar seus 150 anos. Na ocasião, disputou um amistoso com a Inter de Milão - perdeu por 5 a 2. Mas o ponto alto do aniversário foi uma visita mais do que especial: o maior de todos os tempos, o Rei Pelé.
- Foi uma honra fantástica. E ele disse algo especial: que sem o Sheffield FC, o Pelé não existiria. Ele foi muito gentil. É uma pessoa realmenTe do futebol. Mesmo não sendo um clube famoso ou rico, ele estava muito tocado por estar aqui em Sheffield.
Pelé visitou o Sheffield FC em 2007, no jogo que celebrou os 150 anos do clube (Foto: Divulgação) Pelé visitou o Sheffield FC em 2007, no jogo que celebrou os 150 anos do clube (Foto: Divulgação)
Pelé visitou o Sheffield FC em 2007, no jogo que celebrou os 150 anos do clube (Foto: Divulgação)
O estádio do Sheffield FC recebe entre 200 e 400 pessoas por partida. O time está muito longe da elite, mas os torcedores são fiéis.
- É interessante, e o fato de sermos o time mais velho do mundo e ainda estarmos na ativa e vivos me deixa muito orgulhoso. Sempre tenho algo para conversar com meus amigos. Eu torço para o clube de futebol mais antigo do mundo - disse o torcedor Bill Towning, de 58 anos.
O fato de a primeira divisão ser um sonho quase impossível também tem seu lado bom, na visão de Bill.
- Eu gosto do fato de os jogadores e a diretoria serem próximos dos torcedores. Se o time fosse para a Premier League, todos ficariam mais distantes da torcida.
Sheffield FC completará 160 anos no dia 24 de outubro (Foto: Facebook Sheffield FC) Sheffield FC completará 160 anos no dia 24 de outubro (Foto: Facebook Sheffield FC)
Sheffield FC completará 160 anos no dia 24 de outubro (Foto: Facebook Sheffield FC)
Time de estudantes, vendedores, garçons...
Na equipe principal masculina, a cada semana ocorrem dois treinos e um ou dois jogos. E todos os atletas têm outros empregos, como o meio-campo Matt Ronuy, que está no clube há 12 anos e também trabalha no ramo imobiliário
- Temos professores, vendedores, todos os tipo de gente. Também temos estudantes da universidade. Varia, mas todo mundo tem outro trabalho - disse o jogador.
No dia 24 de outubro serão completados 160 anos de vida de um clube que não foi para frente no futebol, mas que se orgulha muito de sua história. Se vibramos hoje com nossos times, é por causa do pioneirismo de outros. Portanto, aqui vai nosso muito obrigado ao Sheffield FC.

sábado, março 28, 2015

Campeonato de futebol de cegos



Superação dribla limitações em campeonato de futebol de cegos

Campeonato de futebol para cegos que ocorre até domingo em Canoas reúne histórias de superação em atletas que não poupam habilidade e tática em quadra

Superação dribla limitações em campeonato de futebol de cegos Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Partidas realizadas no Centro Esportivo São Luís, em Canoas, tem dois tempos de 25 minutosFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Seguindo o som da bola e com habilidade técnica surpreendente, jogadores de cinco equipes de Canoas, Porto Alegre, Pelotas, São Bernardo do Campo (SP) e São Paulo disputam o campeonato sul-brasileiro de futebol para cegos que começou sexta-feira e vai até domingo, no Centro Esportivo São Luís, em Canoas. Em quadra, além da rivalidade, histórias de superação e amor ao esporte que transformam a vida de deficientes visuais.  

O único campo adaptado para a disputa no Estado recebe partidas com dois tempos de 25 minutos. Chamado de futebol para a 5, reúne cinco jogadores em cada lado da quadra, dos quais apenas os goleiros não são deficientes visuais. A ele, cabe uma área limitada de atuação, com dois metros para frente e um para cada lado da goleira. Outro integrante importante é o chamador, que fica atrás da goleira, orientando os atacantes na área do gol. 



Quando a bola está no meio da quadra, falam os técnicos. Caso esteja na área do gol, a voz é do goleiro e do chamador. Por isso, a torcida deve ser silenciosa para que os jogadores escutem as vozes e o barulho da bola que carrega um guizo, que funciona como uma sineta.

Associação de cegos precisava de seis bicicletas e ganhou 50

– O atleta tem que ter muito mais concentração porque a gente se baseia muito pelo som. Se a gente ficar disperso um segundo, tu já perdeu a noção da orientação de onde abola está. Tem que estar ligado cem por cento o tempo todo do jogo – ensinaRicardo Alves, o Ricardinho, da Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc).
Ricardinho achou que não jogaria mais e hoje é o melhor do mundo

Eleito no Mundial de futebol de 5, em novembro do ano passado, o melhor jogador do mundo na categoria, Ricardo Alves, 26 anos, não carrega este mérito a toa. Só na primeira partida do campeonato, realizada sexta-feira de manhã, defendendo a camisa da Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc), de Canoas, fez cinco gols contra a Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs), de Porto Alegre. 
Natural de Osório, mora no Bairro Cavalhada, na Zona Sul de Porto Alegre e joga há quatro campeonatos pela Agafuc. Para honrar o atual título tem uma rotina intensa de onze treinos por semana, incluindo exercícios físicos e com bola. Nem o sábado é de descanso. Para treinar no único ginásio adaptado para a deficientes visuais no Estado, em Canoas, pega ônibus e metrô diariamente com os colegas de time. 

O Cristiano de Ronaldo do futebol de cinco para cegos joga desde os dez anos dando sequência a um sonho que ele suspeitou ter apagado quando perdeu a visão, aos seis anos de idade.

– Sou colorado, sempre quis jogar na escolinha do Inter. Perdi a visão e achei que nunca mais ia chutar uma bola. Foi aí que descobri o futebol de cinco e o sonho renasceu. E hoje isso é a minha profissão, é da onde me mantenho. Mudou minha vida em vários sentidos. 

Integrante da seleção brasileira, treina uma vez por mês em Niterói, no Rio de Janeiro e pretende disputar o Parapan do Canadá que ocorre em agosto. Além do bom desempenho nas quadras, se orgulha das boas relações que coleciona ao longo da carreira.

– O que vai ficar depois do futebol são os amigos. 

 
Concentração do time no intervalo
Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS

"Esqueço todos os problemas"

Uma larga vantagem em relação ao futebol convencional, é o limite de idade para jogo. O agente administrativo, Pedro Antônio Beber, aos 55 anos tem o mesmo perfil e a rotina dos atletas mais jovens. Além de jogar como ala esquerda, encara as responsabilidades de presidente da Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc), na busca de patrocínio e recursos para o time. 

Morador da Restinga, faz treino tático e físico três vezes por semana. Sempre jogou bola mas perdeu a visão com 22 anos. Mesmo assim, não deixou a deficiência o afastar do que mais gosta de fazer. Hoje tem disposição de adolescente.

– Tenho saúde e disciplina e me sinto independente. O melhor, claro, é fazer gol, mas quando estou aqui esqueço de todos os problemas. É uma realização pessoal. A maior dificuldade é a sociedade que impõe. 

"Jogo por felicidade"

O diálogo entre goleiro e jogador é um dos segredos da partida. Goleiro da Associação de Pais e Amigos e Deficientes Visuais (APADV), de São Paulo, Vinicius Tranchezzi, 21 anos, explica que é necessário ser muito específico nas sinalizações que se dá aos zagueiros que, por sua vez, não podem se confundir com as dicas que o chamadores dão aos atacantes do time adversário.

– Precisa dizer se tem um ou dois por perto, onde a bola está batendo. Quanto mais específico formos, mais assertividade na zaga teremos e menos possibilidade da bola vir pra gente. 

Um dos destaques do jogo que o DG acompanhou, na manhã de sexta-feira, entre Associação de Pais e Amigos e Deficientes Visuais (APADV) e Centro de Emancipação Social e Esportiva de Cegos (Cesec) – um clássico de equipes paulistas – foi o alaTiago da Silva, 19 anos, da APADV. Integrante da seleção brasileira, tem velocidade com a bola e bom drible em campo.

 
Tiago tem 19 anos é um dos artilheiros da APADV
Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
– Eu não procuro ser artilheiro, mas ajudar a equipe, dar bons passes. Meu objetivo é que a equipe vá para frente. Eu jogo por felicidade, porque eu gosto – conta ele, que marcou um gol na partida.

OS TIMES QUE COMPETEM

Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc), de Canoas, 
Associação dos Deficientes Físicos de Pelotas (Asdefipel), de Pelotas
Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs), de Porto Alegre
Associação de Pais e Amigos e Deficientes Visuais (APADV), de São Bernardo (SP)
Centro de Emancipação Social e Esportiva de Cegos (Cesec), de São Paulo (SP)
SERVIÇO

Onde: Centro Esportivo São Luís está localizado na Rua Engenheiro Rebouças, 1000, no Bairro São Luís. 
Quanto: a entrada é gratuita. 
Quando: sábado com jogos às 9h, 10h30, 14h30 e às 16h e domingo, com jogos às 8h e às 9h30.

*O Regional Sul é organizado pela Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Visuais


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DIÁRIO GAÚCHO

terça-feira, novembro 13, 2012

Fluminense Campeão Brasileirão 2012

Minha homenagem ao Campeão Brasileiro Série A de futebol.
Bianca Leão tirou quase tudo na Praia de Itacoatiara...

quinta-feira, novembro 08, 2012

Vergonha!!!!


Jean Pierre Gonçalves Lima: "Fiz tudo certo e agora estou sendo punido"
Árbitro garante que foi ele a avisar Francisco Carlos Nascimento sobre gol irregular de Barcos.



Em seu depoimento nesta quinta-feira, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Jean Pierre Gonçalves Lima ratificará que partiu dele, então o quarto árbitro do jogo, a informação do gol irregular do centroavante argentino Hernán Barcos. Em entrevista a ZH, o árbitro de 33 anos lamentou que, desde a partida no Beira-Rio, não foi mais relacionado para os sorteios de arbitragem.

Zero Hora — O que você dirá aos auditores no julgamento?
Jean Pierre Gonçalves Lima — Que eu fiz tudo certo. Vi que o gol foi com a mão e informei o árbitro. Vou reafirmar isso no STJD.

ZH — Você acredita que foi colocado na "geladeira"?
Jean Pierre — Se fui, não me informaram. Depois daquele jogo, não entrei mais em nenhum sorteio. Nem como quarto árbitro. Fiz tudo certo e agora estou sendo punido.

ZH — Você voltará a apitar no Brasileiro após o julgamento?
Jean Pierre — Espero que sim, que agora isso acabe. Minha honestidade e credibilidade estão em jogo. Fiz a coisa certa e faria tudo de novo. Omisso, eu não sou.

quarta-feira, junho 20, 2012

Bola da Copa de 1950


Bola da Copa de 1950 é arrematada por telefonema uruguaio em leilão em Porto Alegre
Relíquia assinada por diversos jogadores uruguaios custou R$ 45 mil, em um lote sem disputa


A bola da Copa de 1950, aquela que sacudiu as redes e calou o Brasil diante dos uruguaios, no fatídico Maracanazo, tem novo dono. E ele é uruguaio.

Na terça-feira à noite, a relíquia foi leiloada em Porto Alegre sem a mesma emoção que o duelo presenciado nos gramados naquela tarde de julho. Por telefone, um comprador identificado apenas por Henrique e com sotaque espanhol arrematou a bola. Conforme o leiloeiro Daniel Chaieb, veio do Uruguai a ligação – pois teve o prefixo 00598, daquele país.

A ligação foi rápida. Quem atendeu ao celular foi Juan Daniel Estevez, 56 anos, uruguaio de Montevidéu que mora no Brasil há 30 anos. Vestindo a camisa celeste e íntimo da Agência de Leilões, na Rua Câncio Gomes, ele foi recrutado a mediar a ligação vinda do Exterior. Do outro lado da linha, apenas o primeiro nome foi dito. Inicialmente, teve de responder sobre a comissão da venda e como receberia o produto. Depois, seguiram-se reações ansiosas.

— Ele perguntava: "estão dando lances?" — relata Estevez.

Ninguém deu. E a bola com os nomes de jogadores uruguaios gravados, que conta também com um certificado de autenticidade assinado em cartório por nosso carrasco Ghiggia, foi vendida por R$ 45 mil.

— Es nuestra! Es nuestra! — gritou Estevez, ao telefone, mesmo sem saber com quem falava.

Entre o público sentado no salão, estava o jornalista uruguaio Andrés López Reilly, enviado pelo El País. Apesar de o jornal ter questionado a relação da bola com a Copa de 1950 — Reilly atesta que não é a do Mundial, porque tem 16 gomos em vez de 12 —, ele garante a autenticidade das assinaturas. Foi enviado a Porto Alegre ontem exclusivamente para acompanhar o leilão. Questionado sobre a chance de um novo Maracanazo em 2014, sorri:

— Seria bom.

O administrador da casa, Anderson Maciel, 32 anos, se resigna. Ghiggia desmentiu que a bola seja realmente a da Copa, dias antes de sofrer um acidente de trânsito que o colocou com gravidade no hospital.  Ainda assim, vale pela antiguidade e pelas assinaturas, verdadeiras. Até ontem, o item mais inusitado da história de 10 anos da Agência de Leilões havia sido uma máquina de escrever que pertenceu a Getulio Vargas. Agora, a casa se orgulha de ter sido a moradia da bola que mudou a história do futebol brasileiro.

Há um charme no ritual do leilão. As peças expostas se amontoam no salão. Na mesma noite, foram oferecidas obras de Carlos Tenius e Xico Stockinger. Na parede à direita, lotada de quadros, há obras de Iberê Camargo. Em um púlpito e com o auxílio de um microfone, o leiloeiro Chaieb brinca, ao abrir os 400 lotes:

— Vamos evitar lances miseráveis.

Frequentador, tanto como vendedor quanto como comprador, o empresário Carlos Schmidt, 58 anos, diz  que a a atração redonda, cheia de histórias, fez encher o local de leigos.

— A raridade da bola todo mundo entende — confidencia.

Thais Sardá
thais.sarda@zerohora.com.br

quinta-feira, setembro 15, 2011

Damião e suas Lambretas/Chaleiras



Imprensa argentina exalta ‘lambreta’ de Damião
Na transmissão da partida, narrador e comentarista do site 'Olé' chegaram a aplaudir a jogada do atacante colorado.

Entre jornalistas brasileiros e argentinos uma opinião parece unânime: o ponto alto do Superclássico entre Brasil e Argentina realizado nesta quarta-feira em Córdoba foi a chamada ‘lambreta’ executada por Leandro Damião sobre o lateral Emiliano Papa. A jogada (veja no vídeo ao lado) foi exaltada até mesmo pelos jornalistas hermanos.
Durante a transmissão, o narrador e um comentarista do "OléTV" não se contiveram e aplaudiram ‘la joyta’ do atacante do Internacional. O título da chamada para os internautas foi ‘Mira que jugada de crack’.

Deixando a rivalidade de lado, até os torcedores presentes ao estádio Mario Kempes se renderam à inventividade de Damião, e aplaudiram o atacante rival.
- Pode chamar de carretilha, lambreta... É do jeito que for. Desde a base eu faço isso. É uma jogada que você parte para cima e é muito boa. Estou trabalhando a cada dia para desenvolver outros fundamentos e está dando certo – comentou o atacante colorado, ainda na zona mista do estádio Mário Kempes.

domingo, agosto 21, 2011

Brasil Penta Sub 20





Oscar decide, Brasil dança o vira contra Portugal e leva penta do sub-20
Seleção se vinga de derrota nos pênaltis em 1991 com título suado, na prorrogação, e atuação de gala do camisa 11, que marcou três vezes

Enrolado na Bandeira do Brasil após o fim da grande decisão do Mundial Sub-20, Oscar enxugava, com alegria e emoção, as lágrimas de herói. O camisa 11, que não havia feito um gol sequer no torneio até a final deste sábado, pode dizer que guardou tudo para quando mais se precisou dele. Em uma decisão suada - foi até a prorrogação -, chamou a responsabilidade e decidiu o título com três gols. Isso mesmo: três gols! Com a façanha do jogador do Inter, o Brasil derrotou Portugal, por 3 a 2, na "dança do vira", e se sagrou pentacampeão da categoria, no abarrotado Estádio El Campín, na Colômbia - o público de 36.048 torcedores foi recorde na história da competição. O titulo brasileiro, que se junta aos de 1983, 1985, 1993, e 2003, teve um gosto de vingança da amarga derrota por pênaltis para os portugueses na decisão em 1991.

O terceiro gol do meia colorado, o mais sensacional, saiu aos 6 minutos do segundo tempo do tempo extra, em um aparente cruzamento - ou não - que morreu no fundo das redes do goleiro Mika, então não vazado até a decisão. Para os portugueses, marcaram Alex e Nelson Oliveira. O brasileiro Henrique, atacante do São Paulo, que ainda desperdiçou grande oportunidade a minutos do fim, terminou a competição entre os artilheiros, com cinco gols, empatado com o francês Lacazette e o espanhol Alvaro Vázquez. Mas levou a chuteira de ouro no critério de desempate de assistências - três - e, de quebra, o troféu de melhor jogador da competição.
oscar gol brasil x portugal mundial sub 20 (Foto: AP)Emocionado, Oscar deixa o campo enrolado na Bandeira do Brasil após vitória (Foto: AP)

A decisão foi acompanhada de perto por ilustres do planeta bola. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o técnico da Seleção principal, Mano Menezes, desembarcaram em Bogotá na tarde deste sábado e se juntaram ao mandatário da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.




O goleiro Mika precisava apenas de mais 19 minutos sem sofrer gol para estabelecer um novo recorde em Mundiais Sub-20. Só faltou combinar com Oscar. Logo aos cinco minutos, o camisa 11 cobrou falta venenosa da intermediária, a bola desviou levemente na cabeça de Sergio Oliveira e entrou no canto direito, acabando com um jejum de 619 minutos e vazando Portugal pela primeira vez na competição. A marca, portanto, continuou com o próprio Brasil entre as edições de 1985 e 1987: 634 minutos.

A alegria durou pouco. Dessa vez, quatro minutos foram necessários para os portugueses igualarem o placar. Aos 9, Nelson Oliveira escapou pela direita e cruzou rasteiro para o meio da área. Alex se antecipou a Danilo e completou. A resposta veio de forma imediata. Após cruzamento, Nuno Reis cortou de cabeça, a bola quicou na frente de Willian e tocou na trave. Mika ainda se esticou para salvar a bola que chegou a ultrapassar a linha, com gol não assinalado pela arbitragem, evitando o que seria o segundo.

Ritmo diminui

Apesar do placar movimentado, o nível técnico não era dos melhores. Ambas as equipes erravam alguns passes considerados até infantis. Era mais difícil ainda ver uma troca de passes rápida, envolvente. Mas, ao menos nas bolas paradas, o Brasil assustava, sempre com Oscar.

Portugal, por sua vez, depositava as suas maiores esperanças em Nelson Oliveira. Foi com o seu artilheiro, autor de três gols na competição, que os lusos mais levaram perigo. Aos 36, ele recebeu lançamento de Saná, dominou com categoria, mas viu Danilo chegar antes e desviar para escanteio. Dois minutos depois, Mario Rui cruzou para o atacante finalizar por cima.

Se estava difícil para infiltrar com tabelas, o zagueiro Juan resolveu arriscar de longe, aos 43. A bomba de canhota passou perto, mas foi o sinal de que o Brasil passava por dificuldades que, apesar de se tratar de uma final, não esperava.


A prova de que Ney Franco não estava mesmo satisfeito foi vista quando o quarto árbitro levantou a placa de substituição na volta do segundo tempo. Foram duas alterações: Negueba, que já havia aquecido durante parte da etapa inicial, entrou no lugar de Willian. Allan substituiu Gabriel Silva. O mesmo já havia acontecido no decorrer da partida contra o México, na última quarta, pela semifinal: o volante Casemiro foi recuado à zaga, Juan assumiu o lateral esquerda, Allan, a direita, e Danilo acabou deslocado para o meio.

As mudanças não surtiram o efeito desejado, e o Brasil seguia sem mobilidade ofensiva. Só não esperava que em um dos contra-ataques sofresse a virada. Aos 14, Nelson Oliveira avançou despretensiosamente sem ser incomodado por Juan e Casemiro. Sozinho, ele finalizou sem ângulo, mas contou com a colaboração de Gabriel, que falhou no lance e viu a bola passar entre as suas pernas.

Técnico lança seu talismã
oscar gol brasil x portugal mundial sub 20 (Foto: Reuters)Oscar comcemora com companheiros (Foto: Reuters)

A primeira reação de Ney Franco foi colocar Dudu no lugar de Philippe Coutinho, em noite apagada. Precisando da vitória, o Brasil adotou postura mais ofensiva, enquanto àquela altura Portugal já ocupava o campo defensivo com todos os seus 11 homens.

Até a faixa de meio-campo, o Brasil tinha total liberdade para tocar a bola. Mas era só passar a linha que divide o campo que um batalhão de vermelho e verde se postava à frente. O time de Ney Franco buscava alternativas, principalmente pelas laterais.

Aos portugueses restava a boa e velha tática de esperar uma chance de contra-atacar. Nelson Oliveira, um dos melhores em campo, aproveitou uma dessas oportunidades. Pela esquerda, avançou com velocidade, invadiu a área, mas Gabriel se redimiu.

A essa altura, o sangue fervia e impedia um raciocínio lógico. Juan quase perdeu a cabeça e foi mais cedo para o chuveiro. O zagueiro tentou acertar Julio Alves na intermediária, o tempo fechou, e o juiz levantou o amarelo para o brasileiro. Na seqüência, ele voltou a se irritar e reclamou com o juiz uma possível simulação do adversário. Ney Franco, sempre sereno, já exibia um semblante preocupado, até desconfortável.

Foi então que seu talismã entrou em ação. Pela esquerda, em mais uma jogada pelo lado do campo, Dudu mandou para o meio da área e Mika espalmou para o meio da área. Sorte do Brasil que Oscar estava lá para empatar, aos 33.

O gol devolveu a tranquilidade e aumentou a confiança. Daí em diante foi pressão total. Dudu pela esquerda, Negueba pela direita, os chutes pelo meio... E a melhor defesa da competição reservou para os últimos minutos o que mais fez na competição: evitar que Mika fosse vazado.

Prorrogação movimentada

Passado o sufoco dos 90 minutos, já não existia mais tática ou lógica. Nelson Oliveira, exausto e claramente com dores, foi mantido no time mesmo com Ilídio Vale ainda podendo fazer uma alteração. E quando resolveu fazer, Caetano entrou na vaga de Saná, também no limite físico.

A única opção era arriscar. As duas equipes foram ao ataque. Dois times abertos e com muitos espaços. Em uma investida rápida, Caetano recebeu pela direita, entrou na área e, por preciosismo, tentou encobrir Gabriel, que se agigantou para salvar.

Em seguida, o Brasil também assustou. Danilo e Romerick dividiram, e a bola passou rente à trave de Mika. Danilo ainda tentou um golpe de misericórdia em chute de fora da área, mas Mika defendeu em dois tempos e evitou que Oscar aproveitasse novamente.

Mas os deuses do futebol dariam a Oscar uma nova chance, a chance de marcar o terceiro e virar o herói do pentacampeonato, o primeiro jogador a fazer três em uma decisão de Mundial. Foi de fora da área, aos 6 minutos do segundo tempo da prorrogação. E pouco importa se o meia tentou cruzar ou chutar. A bola entrou. Golaço!

Portugal pressionou no fim, Henrique perdeu chance cara a cara, mas o destino já estava selado mesmo naquele chute que valeu muito, valeu o título.
Quem também tem motivos para se animar é o torcedor do Internacional, que contará com uma de suas peças fundamentais já na quarta-feira, no jogo de volta da Recopa, contra o Independiente, no Beira-Rio. Na ida, 2 a 1 para os argentinos.

– Chegando lá já tem a final da Recopa. É um jogo importante para o Inter. Já vou segunda-feira me concentrar para essa outra decisão

Veja a campanha do Brasil no Mundial
Brasil 1 x 1 Egito (1ª fase)
Brasil 3 x 0 Áustria (1ª fase)
Brasil 4 x 0 Panamá (1ª fase)
Brasil 3 x 0 Arábia Saudita (oitavas de final)
Brasil 2 (4) x (2) 2 Espanha (quartas de final)
Brasil 2 x 0 México (semifinal)
Brasil 2 x 2 Portugal(3 x 2)

BRASIL 3 X 2 PORTUGAL

Local: Estádio Nemesio Camacho, o El Campín, em Bogotá (Colômbia)
Data: 20 de agosto de 2011 (Sábado)
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Mark Geiger (dos Estados Unidos)
Assistentes: Mark Hurd (dos Estados Unidos) e Joe Fletcher (do Canadá)
Cartões amarelos: Henrique, Juan (Brasil). Roderick, Pele, Sérgio Oliveira, Julio Alves, Sana, Nelson Oliveira (Portugal)

GOLS:
BRASIL: Oscar, aos 4 minutos do primeiro tempo, aos 32 minutos do segundo tempo e aos 5 minutos do segundo tempo da prorrogação
PORTUGAL: Alex, aos 9 minutos do primeiro tempo. Nelson Oliveira, aos 13 minutos do segundo tempo

BRASIL: Gabriel; Danilo, Bruno Uvini, Juan e Gabriel Silva (Allan); Fernando, Casemiro, Philipe Coutinho (Dudu) e Oscar; Willian José (Negueba) e Henrique. Técnico: Ney Franco.

PORTUGAL: Mika; Nuno Reis, Roderick, Cedric (Julio Alves) e Mario Rui; Pele, Sana (Ricardo Dias), Danilo e Sergio Oliveira; Nelson Oliveira e Alex (Caetano). Técnico: Ilídio Vale

domingo, julho 24, 2011

URUGUAI CAMPEÃO COPA AMERICA 2011





Acostumado a viver apenas das glórias do passado nas últimas décadas, o Uruguai pode agora vibrar com o presente. Com a raça e um dia inspirado de Luis Suárez e Diego Forlán, a Celeste impôs seu favoritismo diante do Paraguai, que chegou à decisão sem ter vencido uma partida sequer, derrotou o rival por 3 a 0 e assegurou o título da Copa América, no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires.

O caneco, erguido pelo ex-são-paulino Lugano, garantiu a supremacia no continente à Celeste, dona agora de 15 conquistas, e, de quebra, coroou os nomes de Suárez e Forlán. Autora dos gols do triunfo, a dupla de atacantes, que já havia brilhado na ótima campanha do Mundial da África do Sul, foi fundamental no resgaste do futebol uruguaio e entrou de vez na lista de ídolos do país ao lado de lendas como Obdulio Varela, Ghiggia e Francescoli.

Com dois gols na partida, Forlán, por sinal, se tornou o maior artilheiro da história do país com 31 gols ao lado de Scarone e igualou o feito do pai e do avô: o jogador é neto de Juan Carlos Corazzo, campeão da Copa América como técnico da Celeste em 1959, e filho de Pablo Forlán, vencedor como atleta em 1967.



Com apoio da torcida, Uruguai começa pressionando

Considerado favorito para o confronto, o Uruguai entrou com o forte apoio da torcida, maioria nas arquibancadas do estádio Monumental de Nuñez que, há pouco menos de um mês, era palco do drama do River Plate. Dono da “cancha”, o time portenho empatou por 1 a 1 com o Belgrano e foi rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Argentino.

Com a força de sua “hinchada”, a Celeste começou pressionando. Logo com um minuto, Suárez, na base dos trancos e barrancos, dividiu com os zagueiros e chutou prensado. Escanteio. Na cobrança, Forlán colocou na cabeça de Lugano que testou para defesa parcial de Justo Villar. Na sobra, Coates arrematou para o meia Ortigoza que, de mão, evitou a abertura do placar. O árbitro Sálvio Spínola, encoberto por vários jogadores, ignorou o pênalti.
luis suarez uruguai gol paraguai final copa américa (Foto: Agência Reuters)Suárez comemora seu quarto gol na Copa América:
artilheiro do Uruguai (Foto: Agência Reuters)

A jogada assustou o Paraguai que, acuado em seu campo de defesa, se limitava a conter as investidas uruguaias e colocar a bola ora para lateral, ora para escanteio.

Suárez marca

E a insistência e apetite uruguaio acabaram dando resultado. Diego Pérez cruzou para o meio da área e a bola desviou em um defensor, caindo redonda nos pés do artilheiro Suárez, que estava aberto no lado direito. O camisa 9 dominou, cortou um adversário e chutou sem chances para Villar aos 11.

Com a desvantagem, o Paraguai tentou sair para o jogo e, aos 15, conseguiu sua primeira chance com Váldez desviando para fora um cruzamento de Vera.

Aos poucos, o Paraguai equilibrava a partida, mas sem assustar Muslera. O Uruguai, por sua vez, chegava com perigo e, aos 32, quase ampliou com Forlán após lindo passe de Suárez. O camisa 10 acabou chutando mal para intervenção de Villar. Cinco minutos depois, Suárez teve nova oportunidade, mas acabou arrematando para fora.

Forlán desencanta

Melhor em campo novamente, o Uruguai acabou fazendo o segundo antes do término do primeiro tempo. De malas prontas para deixar o Botafogo, o volante Arévalo roubou bola na intermediária e tocou para Forlán, com um chute forte e seco, fazer 2 a 0 aos 41. Festa absoluta do atacante que, depois de 12 jogos, voltou a marcar com a camisa celeste. Se último tenta tinha sido na disputa do 3º lugar da última Copa, em julho de 2010.

Menos recuado em relação ao primeiro tempo, o Paraguai, que não contava com o seu técnico no banco de reservas (Gerardo Martino cumpria suspensão por uma expulsão na semifinal diante da Venezuela), voltou para a etapa final correndo atrás do prejuízo. O Uruguai, por sua vez, se postava bem na defesa e não deixava o rival pressionar.

Váldez acerta o travessão, Forlán mata a partida

Porém, em um chute de fora da área, quase que os Guaranis diminuíram aos nove. Haedo Váldez dominou na intermediária e carimbou o travessão de Muslera que, até então, só observava o embate.

O lance, entretanto, não abateu os uruguaios que, com o resultado ao seu favor, seguiam cozinhando a partida, enquanto os paraguaios, na base da vontade, tentavam colocar fogo no duelo. Porém, quem quase incendiou o Monumental mais uma vez foi Suárez. Após passe de Cavani, o atacante chutou para defesa espetacular de Villar aos 29.

Nos minutos finais, o time do técnico Oscar Tábarez controlou ainda mais o duelo e, aos 44, fez o terceiro com Forlán. Com o apito final, o Monumental em um virou um pedaço do Uruguai. Um estádio celeste que não presenciou um título tão importante como uma Copa do Mundo, mas tão significante quanto para a torcida e jogadores como Lugano, Loco Abreu, Forlán, Suárez, Arévalo, Muslera e outros.

URUGUAI 3 X 0 PARAGUAI

Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Coates, Martín Cáceres (Godín); Álvaro González, Diego Pérez (Eguren), Arévalo, Álvaro Pereira (Cavani); Forlán e Luis Suárez
Técnico: Óscar Tábarez

Estádio: Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina). Data: 24/7/2011. Árbitro: Sálvio Spínola (Brasil). Assistentes: Márcio Santiago (Brasil) e Francisco Mondría (Chile)
Gols: Luis Suárez, aos 11 do primeiro tempo; Diego Forlán, aos 41 do primeiro tempo e aos 44 do segundo tempo

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